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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 65 - Jane Eyre, Charlotte Brontë

ISBN: 9788572329996
Ano: 2014
Páginas: 780
Editora: Martin Claret

Sinopse: Jane Eyre, romance de estreia da consagrada e renomada escritora inglesa Charlotte Brontë, narra a história de vida da heroína homônima. Quebrando paradigmas e criticando a realidade vitoriana da época, Jane Eyre desafia o destino imposto às mulheres e as posições sociais que elas deveriam ocupar. Recheado de características góticas, o romance possui personagens inesquecíveis e transformadores, como a figura do misterioso Rochester, patrão de Jane e peça vital da narrativa.





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Eu adoro romances vitorianos, mas tinha receio de ler esse, sei lá, acho que é porque eu adoro tanto a Jane Austen que não sentia vontade de ler outra autora do gênero, às vezes sou assim, também tenho meus preconceitos literários e olha, não são poucos.
Mas parei de ser besta e li, amei, me envolvi e me emocionei, esperava menos e tive muito mais que merecia, que livro!

O que mais me encanta no livro é a própria Jane Eyre, que tem suas fragilidades, mas tem também uma força de caráter, uma presença tão marcante, tão viva que comove.
Diferentemente dos romances da Jane Austen, Jane Eyre não se passa tanto em um núcleo familiar, porque ela é órfã, criada por uma tia que não queria a criança, com primos mimados e que sentem superiores a ela.

Tem momentos do livro que o tratamento frio da família chega a ser cruel, que dá vontade de pegar ela no colo e cuidar dela com todo carinho do mundo, ela sempre foi uma criança diferente, questionadora, curiosa e que gostava de aprender, mas em um ambiente hostil isso era tido como arrogância e desobediência.

Jane vai passando por dificuldades que vão moldando sua vida e aumentando seu desejo de independência, mas ela não fica esperando as coisas caírem do céu, ela se dedica para que aconteçam, outro fator positivo é que ela aprende a suportar as vicissitudes com resignação e coragem, ela é uma mulher forte.

A força dela vem justamente da fraqueza, do reconhecimento dela e do aprimoramento pessoal, ela é inteligente, mas não esconde isso. As personagens do livro a consideram uma pessoa feia e sem graça, mas ela emana uma aura de encantamento nas pessoas que tem olhos para ver além da superfície.

No caminho ela encontra pessoas capazes de enxergar isso nela, amigas, companheiras de internato e até o patrão (o Sr. Rochester, me causa uma mistura de raiva e carinho rs)dela, que neste caso também não é nenhum deus grego, mas é rico e inteligente, o que já o tornava um partidão na época.

Quem já leu algum romance vitoriano ou não, já consegue imaginar o que aconteceu né? 
Quem ai já leu?

Até a próxima! ;) 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

'Tá Lido #54 - Mansfield Park, Jane Austen


Páginas:  576
Editora:  Martin Claret
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: Fruto da fase mais madura da autora, o romance traz a história de uma jovem órfã que é adotada por seus parentes ricos, apresentando conflitos que envolvem amor e contratos sociais, escravidão e civilidade, riqueza e autopercepção – sempre com o toque irônico de Austen, sua marca registrada. O lançamento de “MANSFIELD PARK” apresenta esta importante obra de Jane Austen em uma edição bilíngue, resgatando toda a magnificência e toda a preocupação social de uma das maiores escritoras inglesas. Ainda que o livro aborde vários temas, a principal questão é a busca da identidade e do verdadeiro amor. Por mais de dois séculos o livro divide os leitores: por um lado, “MANSFIELD PARK” é o trabalho mais autobiográfico de Jane Austen, refletindo o mundo de pretendentes religiosos e proprietários de terra, das caçadoras de maridos, dos esnobes e dos tolos do interior – no qual a escritora viveu e procurou o amor. Entretanto, o texto parece entrar em conflito com as tradicionais heroínas de Austen, uma vez que Fanny Price é surpreendentemente contida e passiva, fato que tem aturdido por décadas os críticos e os fãs da autora. As questões sociais também são discutidas na obra, sugere-se pela crítica especializada que o título se refere ao julgamento de Mansfield, a decisão inglesa legal e histórica tomada pelo chefe da Justiça Lorde Mansfield, segundo a qual foram estabelecidos os primeiros limites quando à escravidão na Inglaterra. No romance, Fanny surpreende sua família adotiva ao levantar a questão sobre o envolvimento deles com a escravidão. As cartas de Jane Austen escritas na época nos informam de uma paixão por Thomas Clarkson, um popular abolicionista, o que justificaria o envolvimento da autora com estas questões sociais. Jane Austen, como os seus personagens, cresceu em uma zona rural na Inglaterra entre a classe abastada e religiosos, cujos hábitos e negócios ela observava com perfeição e, às vezes, com uma honestidade brutal e reveladora. A sua memorável linguagem, a sua sagacidade satírica, o seu delicado senso de humor e as complexas caracterizações de luta moral no coração das famílias, além das alianças românticas, contribuem para o estilo atemporal da autora. O tema prevalecente na obra continua relevante: a necessidade de homens e mulheres encontrarem a sua identidade e fazerem as suas próprias escolhas - ainda que a sociedade, por sua natureza, tente os fazer seres dependentes, sem força e preconceituosos. Este foi o romance mais lucrativo de Austen, garantindo à autora 350 libras, uma fortuna na época. A história já foi adaptada algumas vezes para o cinema e televisão, as mais conhecidas são as versões de 1983 pela BBC e as homônimas norte- americanas de 1999 e 2007.

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Acho que sou bastante suspeita pra falar de Jane Austen, quem já me ouviu falar de algum livro dela deve saber. Como leitora sou bem versátil, leio de tudo, mas é claro que tenho uma queda por aventuras épicas, fantasia, romance/suspense policial e romances vitorianos (principalmente pelos escritos pela Jane).

Esse livro foi daqueles que eu não queria largar, queria andar na rua lendo, de pé no ônibus, na fila curta do mercado e em qualquer possível, era impossível parar de ler.

Acho que ele se tornou meu favorito da autora até agora, mas vamos ver se vai durar isso, porque cada vez que termino um livro dela fico com essa sensação, de ser o melhor livro dela que eu já li...rs
Até o fim do ano pretendo ler todos os livros publicados dela aqui no Brasil, logo logo aparece mais um por aqui.

Fiquei louca de vontade de lê-lo porque ele é mencionado muitas vezes no livro Um quarto todo seu (Virgínia Woof). Quando terminei Um quarto todo seu já comecei emendei  Mansfield Park e foi incrível, estava com as expectativas altas e ele conseguiu ser melhor do que eu esperava.

O que mais me marcou nesse livro foi a candura da Fanny, a decepção e a resignação, mesmo que seja um traço bastante comum nas obras da JA, mocinhas resignadas, inteligentes e independentes, me surpreendi pelo desfecho, pela forma como a história termina.

Juro que neste caso até mais ou menos o fim achei que ela não teria final feliz, ou pelo menos não o final feliz que eu queria, na maioria dos outros livros, pouco antes do fim eu já sabia quem ia casar com quem, qual seria o final e etc, mas nesse foi diferente... foi surpreendente.

Acho que mesmo sendo uma obra bastante longa, não é cansativa e nem cheia de voltas, é uma narrativa rápida e quando parece que vai enrolar, desenrola.

Fica a dica então, pra quem quer uma leitura leve e cheia de romance, crítica social e falsas aparências, no fim nada é como parece, pelo menos nesse livro.

Até a próxima!

;)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

'Tá lido #38 - Orgulho e preconceito, Jane Austen

Orgulho e Preconceito
Autor: Jane Austen 
Páginas: 229  
Editora: Landmark 
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito!
Sinopse: Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.

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Quem ai já percebeu que eu adoro a Jane Austen levanta a mão. \o/
Posso dizer que adoro essa capa, olha que eu não sou fã de capa de livro que tenha a capa de filme, mas dessa eu gosto, acho que a Keira Knightley (atriz principal do filme) tem muito jeito para filmes de época, acho que combina muito com ela e nesse filme não foi diferente.

Um dos meus projetos para 2014 é terminar a obra da Jane Austen em ordem cronológica (além disso, esse ano é o bicentenário de Mansfield Park), faltam quatro obras ainda e em breve vou ler o próximo, em ordem cronológica de publicação que você pode encontrar no site Jane Austen em português do Brasil.

Mas voltando ao livro, esse não é o meu preferido, tenho um carinho especial por Persuasão (já falei dele aqui!) e fiquei lendo madrugada adentro Razão e Sensibilidade, acho que como eu já tinha visto o filme antes ficou meio sem graça e não li com tanta empolgação, mas é um livro muito bem escrito e mais denso que Razão e Sensibilidade.

Trata-se (como sempre) de uma mulher muito racional e lógica, com a mentalidade diferente das mulheres da sua época (que só querem fazer um bom casamento), essa mulher tem uma irmã que é menos racional e muito mais sensível e a história vai se desenvolvendo de acordo com os dramas e problemas pessoais de cada uma.

E durante as resoluções as duas irmãs vão mudando, cada uma pegando emprestado um pouco da personalidade da outra, cada uma vivendo os seus dramas de formas diferentes. 

Outras coisas em comum com as outras histórias é o mocinho que tem dupla face, ora aparece como vilão e ora como herói, o meio em que as protagonistas vivem é cercado de falsas aparências e convenções, além das futilidades e das leis que regem a sociedade (mas isso só acontecia no passado, não é?). Adoro a acidez e a forma como a sociedade da época é retratada, as vezes tenho a sensação de ler relatos de uma pessoa que não pertencia à época, como se fosse um observador à parte, consegui explicar?

Pode parecer que ela tem uma fórmula para escrever, mas pelo contrario, por mais que o mote seja bem parecido o desenvolvimento da história é sempre dferente, porque cada pessoa é uma afinal.

Até a próxima.

;)

sábado, 21 de setembro de 2013

Tá lido #21 - Grandes esperanças, Charles Dickens

Grandes esperanças

Autor: Charles Dickens
Páginas: 656
Editora: Abril
Avaliação pessoal:
Sinopse: Em 1861 Dickens publicou o mais equilibrado de seus romances: "Grandes Esperanças". A obra foi inspirada em sua experiência amorosa com a atriz Ellen Ternan, com a qual rapidamente se decepcionou.Grandes Esperanças é uma de suas obras-primas. Dickens acreditava, como todo inglês médio da época, na imutabilidade da hierarquia social e condensou no destino de Pip - principal personagem da obra - sua própria experiência: os perigos de uma ascensão social demasiado rápida.




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“Sabe Deus que nunca devemos sentir vergonha de nossas lágrimas, porque elas são como a chuva que cai sobre a poeira que nos torna cegos e recobre nosso coração empedernido.”




Sempre acho difícil falar sobre meus livos preferidos ou dos que eu gosto muito, quanto mais eu gosto do livro mais difícil é. Isso quase me fez desistir de falar sobre Grandes esperanças ele é um dos melhores livros que eu já li na minha vida, um livro que eu pretendo reler em breve e que sempre vai ocupar um lugar especial na minha vida de leitora.

Por incrível que pareça não me apaixonei tanto pela história, ela não ruim,  tem um mote simples e bem escrito, mas que acaba ficando em segundo plano, em Grandes esperanças Dickens descreve tão bem e nos aproxima tanto dos personagem, que a gente lê a história pra saber como os personagens vão e o que vai acontecer com eles, eles passam a se mais que ferramentas narrativas e se tornam o ponto principal de tudo.

Já deve ter dado pra perceber que o que mais me chama atenção é a construção dos personagens, eles são bem próximos do real, de pessoas reais e isso faz com que você ame e odeie ao mesmo tempo, porque eles possuem nuances mesquinhas, mas também possuem os medos, as inseguranças e a vontade de fazer parte de um grupo que nós temos e que ainda faz parte do contexto social de hoje.

Além disso Grandes esperanças ser tão atual (mesmo com mais de 150 anos) é um indicador do quanto Dickens conseguia penetrar no intimo das pessoas e ele mostra nesse livro coisas que tentamos esconder até de nós mesmos, mostra o preconceito, a vergonha, a inveja, a cobiça, a vingança, a sona, a humilhação do mais pobre pelo mais rico e assim por diante. E fazendo um contraponto ele mostra também o melhor das pessoas em alguns personagens, como por exemplo a amizade, o amor descompromissado, a solidariedade e a gratidão.


Esse é o Dickens, cercado de seus personagens! :)

Pra mim esse livro trata mais de relacionamentos, amizades, família e romances, não só deles, mas do que eles trazem pra vida das pessoas e como interferem e mudam não só a personalidade, mas o rumo que as pessoas tomam.

A época de Dickens é caracterizada por romances assim, que tem uma história triste e um final feliz como os filmes da Disney, ou seja, uma Disney, antes de Walt Disney e  como eu adoro finais felizes pra mim foi super válido, mas se você é do tipo que não acredita em coincidências e uma série de eventos meio inexplicáveis que levam ao ápice da história, esse não é um livro pra você, pois de repente você vai se dar conta que isso faz parte desse universo, onde algumas coisas muito importantes acontecem de forma meio que natural, espontânea e sem explicação, simplesmente acontecem.

O Pip (Philip Pirrip) é o personagem principal, no começo do livro ele é um garotinho de uns 7 anos, que está num cemitério lendo nas lápides dos pais tudo que ele sabe sobre eles, o que é muito triste, ele é criado pela sua irmã, uma mulher mandona, brava e que o trata mal e como um estorvo, mas nem tudo é ruim na vida de Pip ele tem um amigão, o ferreiro Joe, marido de sua esposa é o único que lhe dá carinho, atenção e se ocupa com ele de verdade, ele é o espelho de Pipi e o que ele que ser quando crescer, além disso ele é o primeiro amigo verdadeiro de Pip.

Ainda no começo do livro percebemos que o mundo de Pip se resume ao pequeno vilarejo que eles moram e ao que a irmã permite que ele faça, ela é a grande força que reprime e controla a vida dele, ela decide o que ele pode, o que não pode e o que é melhor pra ele. Até que ele entra em contato com a riqueza, um mundo diferente do que ele pertence através da miss Havisham, uma mulher medonha, é sério, ela tem uns 60 anos e foi abandonada no dia do casamento, desde aquele dia a vida dela parou, ela usa o vestido de noivas e o bolo podre do casamento ainda está na mesa da sala, imaginem que bizarro, mas ela é mais que isso e no decorrer do livro percebemos quais são as verdadeiras intenções dela, os medos e as motivações.

Na casa da miss Havisham existe uma menina linda, mandona e chata chamada Estela e logo Pip se apaixona por ela, mas ela esnoba ele, é lógico e isso de alguma forma muda a forma de Pip ver o mundo e a si próprio, trás uma insegurança e uma vontade de ter uma coisa que até então ele não desejava, dinheiro e ser outra pessoa que não ele.

E ai a história se desenrola e muitas coisas vão acontecer, como receber uma herança misteriosa (as grandes esperanças), se mudar para Londres (onde ele faz uma amizade linda com Herbert e que dura a vida inteira), fazer novos amigos, se preocupar com as aparências e essas coisas, o maior mistério da história é quem deu essas grandes esperanças para o Pip e porquê. Mas isso você só vai descobrir lendo a história, e eu te garanto vale a pena!

Até a próxima!
:)