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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

{Fabí} 'Tá Lido #83 - Musashi, Eiji Yoshikawa

Sabe quando você quer muito ler um livro, que tem certeza que vai gostar e tem altíssimas expectativas? Pois é, essa era a minha relação com Musashi.

Tinha um desejo enorme de ler esse  livro, mas a edição física dele é tão cara, o livro é tão grande, pagar mais de noventa reais e correr o risco de ser um livro ruim, tentei achar ele em bibliotecas, mas nada, procurava e-book (preciso fazer um post sobre o que eu acho de e-books pagos), mas não achava de jeito nenhum. Mas, como tudo na vida, um dia o céu abriu e eu achei o bendito livro pra baixar e fiquei com ele na cabeça (aquele pensamento PRECISO LER ESSE LIVRO LOGO), acho que você me entende né?

Enfim, comecei a ler em junho e terminei em setembro, foram três meses de leitura, afinal o livro tem mais de 1800 páginas, além disso, ando meio louca por livros com mais de 400, esse ano coloquei livros sensacionais na minha meta de 10 livros para 2016, mas livros difíceis, que demandam mais tempo de leitura e sei lá, esse ano desencanei dos números e me foquei em ler o que tinha em casa e queria muito ler, confesso foi libertador, está sendo é tao bom achar coisas incríveis na estante ou em bibliotecas, um dia quem sabe escrevo sobre meu amor por elas e como elas são importantes na minha formação, tando como pessoa, quanto como leitora. 

Estou divagando, mas é que Musashi foi tão maravilhoso que me lembrou de como é bom sentir que todas as expectativas foram alcançadas, que o livro é tudo que promete e que vai deixar uma marca em mim, me fez ôefletir e conhecer tanta coisa, sério, esse livro me mudou e eu adoro quando isso acontece, vale a pena abrir um livro, passar horas com ele, procurando um jeito de ler em pé no metrô cheio, ou na cama, só pra ter momentos como esse.

Não consigo ser imparcial e nem hipócrita de fingir que vou tentar, eu amei Musashi, não pela genialidade da escrita, ou pela construção magnífica das personagens, mas pela singela beleza do livro, pelo tom contemplativo e pela jornada do herói, que pode ser o Takezo, ou a Fabíola, que mudou tanto durante a leitura, que hoje se enxerga de uma forma diferente.

Musashi é um romance de formação, mas uma mudança tão interior, uma busca tão linda e verdadeira de si mesmo, que inspira, que renova as crenças e as esperanças, pelo menos foi assim pra mim. Ele é tão humano, erra, acerta, magoa, sofre e ri das pequenas coisas e nessa jornada, nesses momentos ele aprende a ser humano, a ser mais empático e viver o coletivo, coisa que quero muito saber um dia, quero ser capaz de olhar além de mim, além dos meus interesses, é uma busca diária e uma frustração também. 

Pra mim a leitura é sempre subjetiva, as minhas experiências pessoais e identificação com as personagens definem em um nível muito grande o valor dado por mim à obra, lógico que gosto de livros bem escritos, de narrativas diferentes e geniais, mas gosto mais ainda de me abalar, me revirar e me enxergar no livro, porque, afinal, ler pra mim é uma forma de ver, conhecer e entender o mundo e as pessoas (e principalmente a mim mesma), tenho dito sempre, mas nunca me canso de pensar o quanto isso é verdadeiro pra mim.

Que post sentimental né? Pra completar só falta você ter paciência comigo e ver os 20 minutos que falo desse livro, ver o brilho dos meus olhos e a minha cara de boba, esse vídeo é muito querido, pois me parece que estou ai conversando sobre um livro que me é caro com um amigo, como diz a (LINDA, MARAVILHOSA, DONA DOS CACHOS MAIS LINDOS DA INTERNET) Luara, em suas Segundas não odiadas, pega o café e vem ver.



Por hoje é só, até a próxima! ;)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

{Fabi} 'Tá lido # 68~ Ana Karênina, Liév Tolstói

Páginas: 749 
Editora: Abril

Sinopse: Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Esta é uma das aberturas mais famosas de todos os tempos, e ainda hoje impressiona a sabedoria concisa com que Tolstói -introduz o leitor no universo de Anna Kariênina, clássico escrito entre 1873 e 1877. Muito do que o romance vai mostrar está contido nesta frase. A personagem-título, ao abandonar sua sólida posição social por um novo amor, e seguir esta opção até as últimas consequências, potencializa os dilemas amorosos, vividos dentro ou fora do casamento, de toda a ampla galeria de personagens que a circunda.







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Logo que terminei A elegância do ouriço comecei Ana Karênina, porque a Reneé (personagem central do romance) sempre cita Anna Karênina, além disso esse livro tem muito valor na história e é encantador ver o carinho da Reneé pelos personagens (principalmente pela Kity e pelo Kóstia). Acho que sempre vou associar um ao outro, porque a minha experiência de leitura de um está fortemente ligada ao outro e os dois são livros que me marcaram muito como leitora.

Logo no começo do livro, depois do primeiro parágrafo mais famoso do mundo (Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira), você já percebe que a história vai ser meio que um novelão mexicano.

Esse começo já mostra que a história vai se passar em torno dos dramas familiares, logo no inicio do romance a família Oblonski esta passando por problemas, o marido cometeu adultério e a mulher descobriu, mas sofre para tomar uma decisão já que ela não tem renda e tem muitos filhos.

Para ajudar nas questões matrimoniais Ana Karênina, a irmã do Sr. Stepan (Stiva) Arkadyevich Oblonski, vai de São Petesburgo para Moscou tentar convencer sua cunhada a perdoar o marido e manter a família unida. Durante a viagem de trem ela vem na mesma que a Condessa Vronski e acaba conhecendo seu filho (rola maior clima, ele fica enfeitiçado por ela), mas eles mal se falam e ela acredita que não vai mais vê-lo .

Uma das maiores ironias nesse livro é que ela é considerada a pessoa ideal, possui um “casamento perfeito”, tem um marido respeitável e admirável por seu cargo como funcionário do governo. Mas ao longo da história percebemos que nem todas as aparências são verdadeiras e que famílias aparentemente felizes podem ser bem infelizes quando retiram as máscaras ou quando as circunstancias mudam.

Nesse caso o que mudou foi que Vronki e Anna se encontraram novamente em um baile, dançaram e conversaram muito, Vronski que é galante e estava inclusive cortejando a Kity, que está apaixonada por ele consegue deixar Ana balançada e esse relacionamento é o que vai mudar a história de todos que os cercam.

Acho que já deu pra perceber que Ana Karênina é um livro sobre relacionamentos familiares e que também trata da vida em sociedade, mas pra mim principalmente é um livro de amor. Sobre as várias formas de amor, sobre a descoberta do amor e que cada um entende e sente quando se trata de amor.

O amor dos Liêvin (Kity e Kóstia, que são meus personagens favoritos) é puro, o amor dos Oblonski é mais pela família e por manter ela, o do Karenin é frio e o da Ana por ele é conquistado pelo respeito, o da Ana e do Vronski é obsessivo  e assim vai... Não quero falar mais para evitar spoiller.

O romance trata bastante dos sentimentos da Anna e apesar do nome do romance, de ela ser a personagem central a Ana é a personagem mais chata e egoísta da história, acho que das “mocinhas” da literatura ela só perde para a Cath de O morro dos ventos uivantes no quesito chatice. Ela é insegura, carente, mimada e egoísta, a única coisa boa que ela tem é a capacidade de amar, a busca do amor e o fato de estar disposta a quebrar as conveniências sociais para ser feliz, para amar e viver esse amor.

Mesmo com isso o amor dela é o mais fútil e o mais vulgar do romance, o que não diminui o valor do livro, mas o ponto alto do romance pra mim é a descoberta do amor da Kity, a construção da confiança e do relacionamento deles é tão doce, tão pura que me tocou profundamente.


Foi muito difícil pra mim falar desse livro, não sei explicar, acho que ele me tocou e quando a gente sente uma coisa tão bonita com um livro é difícil descrever, além disso ele ficou fortemente ligado à elegância do ouriço que foi um livro que ecoou em mim de uma forma muito bonita e diferente e que foi a leitura que mais mexeu comigo em 2014.


Por hoje é só!

;)


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

{Fabi} Os melhores de 2014...

Já falei que adoro listas?
E que é impossível pra mim escolher só dez livros?

Meu critério é o seguinte: ACHO QUE TODOS OS LIVROS DA LISTA MERECEM SER LIDOS POR TODO MUNDO! <3

~> Livros

1) O Silmarillion, J. R. R. Tolkien
2) Toda Poesia, Paulo Leminski
3) Mansfield Park, Jane Austen
4) Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez
5) Cândido, Voltaire
6) Os miseráveis, Vitor Hugo
7) Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski
8) Jane Eyre, Charlotte Brontë
9) A elegância do ouriço, Muriel Barbery
10) O jardim secreto, Frances Hodgson Burnett
11) A breve história de quase tudo, Bill Bryson
12) O iluminado, Stephen King
13) Norwegian Wood, Haruki Murakami
14) A redoma de vidro, Sylvia Plath
15) Ana Karenina, Liév Tolstói


Menção honrosa: O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe

~> Quadrinhos

1) John Constantine / Hellblazer - Dores Fantasmas, Milligan...
2) Calvin e Haroldo: E Foi Assim Que Tudo Começou, Bill Watterson
3) Batman: Arquivo De Casos Inexplicáveis, Grant Morrison
4) Sandman: Os Caçadores de Sonhos, Neil Gaiman
5) Trilogia Scott Pilgrim, Bryan Lee O'Malley
6) V de vingança, Allan Moore

sábado, 27 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 66 - A elegância do ouriço, Muriel Barbery

ISBN: 9788535911770
Ano: 2008
Páginas: 352
Editora: Companhia das Letras
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou — por que não? — duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A "Elegância do Ouriço", seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

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Eu já tinha tentado ler esse livro antes, acho que em 2013, mas não deu muito certo provavelmente não era o momento, tem aquela coisa de o livro te escolher.
Eu simplesmente amei esse livro, ele ecoou em mim, me tocou de uma forma tão intensa que ainda me pego pensando nele, mesmo depois de ter lido alguns outros.
Não é porque eu me pareça com algum personagem, mas é pela escrita, pelo clima, pela beleza e pela mensagem do livro mesmo.

O livro conta a história de Renée, uma zeladora solitária e que só mostra aos estranhos o que ela quer, ou melhor o que eles esperam ver. Digo isso porque ela é uma mulher culta, inteligente e sempre se faz de obtusa e de desentendida.

Ela é o tipo de pessoa curiosa, que vai adquirindo cultura, bom gosto por buscar isso, por indicação de outros livros e filmes, ela tem um bom  gosto natural.
Posso dizer que ela me indicou Anna Karenina (outro dos meus livros preferidos da vida) e Satie, é que o gato dela se chama Léon (homenagem ao Tolstói), ela sempre rele Anna Karenina e fala dele sempre e com tanto carinho, que fiquei tão curiosa que logo que terminei A elegância fui lê-lo.

 E Satie <3, bom decida-se por si só:



Como o livro todo é repleto de referencias à arte, música e literatura, sobre referencias ao belo e a busca do belo, esse clima me envolveu, percebi que os livros que trazem muita musicalidades, tendem a me marcar mais, acho que a música é tão universal que conseguimos compreender melhor o personagem quando ouvimos o que ele sente, não consigo colocar em palavras, mas acho que é por ai.
Essa busca se dá não só pela Renée, mas também pela adolescente chamada Paloma, que é super inteligente que se finge "normal", mas que não se sente parte do mundo, meio que aquilo de gênio incompreendido, que acha o mundo um lugar estranho e busca uma razão para viver.

O mais curioso é que elas se cruzam, mas não percebem o que tem por trás das máscaras sociais, já que as duas fingem ser uma coisa que não são, eu esperava que ao se olharem elas se descobrissem, sei lá percebessem que ambas  gostam muito de cultura japonesa, música boa, são observadoras, percebem a essência das outras pessoas, gostam de arte e  essa busca pelo belo.

Mesmo com toda essa consciência das máscaras sociais, talvez não tão sem querer assim, ambas vivem de alguma forma uma hipocrisia, pois fingem ser o que não são, mas isso é uma forma de proteção e até mesmo de preservação e não para se gabarem (o que normalmente as outras pessoas fazem), elas pelo contrário, elas se diminuem para atender a expectativa dos outros.

No decorrer da história as duas vão se descobrindo, mas para isso acontecer é preciso que uma terceira pessoa apareça e faça a diferença na vida das duas, uma daquelas pessoas que sem perceber muda a história das outras.
É delicioso presenciar esse encontro, essa aproximação que já parecia tão evidente e que ao mesmo tempo é conduzida com sutileza e muita delicadeza, mas daqui pra frente não posso falar mais nada, porque a descoberta é a parte mais gostosa.

Até a próxima! ;)

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 65 - Jane Eyre, Charlotte Brontë

ISBN: 9788572329996
Ano: 2014
Páginas: 780
Editora: Martin Claret

Sinopse: Jane Eyre, romance de estreia da consagrada e renomada escritora inglesa Charlotte Brontë, narra a história de vida da heroína homônima. Quebrando paradigmas e criticando a realidade vitoriana da época, Jane Eyre desafia o destino imposto às mulheres e as posições sociais que elas deveriam ocupar. Recheado de características góticas, o romance possui personagens inesquecíveis e transformadores, como a figura do misterioso Rochester, patrão de Jane e peça vital da narrativa.





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Eu adoro romances vitorianos, mas tinha receio de ler esse, sei lá, acho que é porque eu adoro tanto a Jane Austen que não sentia vontade de ler outra autora do gênero, às vezes sou assim, também tenho meus preconceitos literários e olha, não são poucos.
Mas parei de ser besta e li, amei, me envolvi e me emocionei, esperava menos e tive muito mais que merecia, que livro!

O que mais me encanta no livro é a própria Jane Eyre, que tem suas fragilidades, mas tem também uma força de caráter, uma presença tão marcante, tão viva que comove.
Diferentemente dos romances da Jane Austen, Jane Eyre não se passa tanto em um núcleo familiar, porque ela é órfã, criada por uma tia que não queria a criança, com primos mimados e que sentem superiores a ela.

Tem momentos do livro que o tratamento frio da família chega a ser cruel, que dá vontade de pegar ela no colo e cuidar dela com todo carinho do mundo, ela sempre foi uma criança diferente, questionadora, curiosa e que gostava de aprender, mas em um ambiente hostil isso era tido como arrogância e desobediência.

Jane vai passando por dificuldades que vão moldando sua vida e aumentando seu desejo de independência, mas ela não fica esperando as coisas caírem do céu, ela se dedica para que aconteçam, outro fator positivo é que ela aprende a suportar as vicissitudes com resignação e coragem, ela é uma mulher forte.

A força dela vem justamente da fraqueza, do reconhecimento dela e do aprimoramento pessoal, ela é inteligente, mas não esconde isso. As personagens do livro a consideram uma pessoa feia e sem graça, mas ela emana uma aura de encantamento nas pessoas que tem olhos para ver além da superfície.

No caminho ela encontra pessoas capazes de enxergar isso nela, amigas, companheiras de internato e até o patrão (o Sr. Rochester, me causa uma mistura de raiva e carinho rs)dela, que neste caso também não é nenhum deus grego, mas é rico e inteligente, o que já o tornava um partidão na época.

Quem já leu algum romance vitoriano ou não, já consegue imaginar o que aconteceu né? 
Quem ai já leu?

Até a próxima! ;) 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 64 - A redoma de vidro, Sylvia Plath

ISBN: 9788525057945
Ano: 2014 /
Páginas: 280
Editora: Biblioteca Azul
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica.

A Biblioteca Azul lança uma nova edição de A redoma de vidro, único romance da poeta americana Sylvia Plath. O título retorna às livrarias com tradução do escritor Chico Mattoso 51 anos depois da primeira publicação e do suicídio da autora, em 1963. 
Lançado semanas antes da morte da poeta, o livro é repleto de referências autobiográficas. A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. A obra foi publicada na Inglaterra sob o pseudônimo Victoria Lucas, para preservar as pessoas que inspiraram seus personagens.
Assim como a protagonista, a autora foi uma estudante com um histórico exemplar que sofreu uma grave depressão. Muitas questões de Esther retratam as preocupações de uma geração pré-revolução sexual, em que as mulheres ainda precisavam escolher se priorizavam a profissão ou a família, mas A redoma de vidro segue atual. Além da elegância da prosa de Plath, o livro extrai sua força da forma corajosa como trata a doença mental. 
Sutilmente, a autora apresenta ao leitor o ponto de vista de quem vivencia o colapso. Esther tem uma visão muito crítica, às vezes ácida, da sociedade e de si mesma, mas aos poucos a indiferença se instaura, distanciando a moça do mundo à sua volta. Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.
Ao lidar com sua depressão, Esther também realiza a transição de menina para uma jovem mulher. Mais que um relato sobre problemas mentais, A redoma de vidro é uma narrativa singular acerca das dores do amadurecimento.

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Faz tanto tempo que eu queria esse livro, mas ele era esgotado no Brasil e infelizmente eu não sei ler em Inglês (coisa que vai mudar em breve), mas graças a Deus ele foi relançado esse ano e a linda da Ines me deu de presente de Natal, obrigada, eu amei! <3

Esse livro é triste, melancólico e sensível,  ao mesmo tempo é bonito e a prosa da Sylvia é poética e simples, uma delícia de ler. O mote principal do livro é depressão e suicídio, o sentimento de não se encaixar no mundo e de ter uma dor tão grande que não sabe como lidar.

Por mais que seja um tema pesado é narrado com tanta sensibilidade que torna a leitura mais leve, a prosa é tão bonita e simples que a leitura flui, é um livro melancólico, mas com uma melancolia e uma tristeza bonita, não agressiva e que comove, mas não de uma maneira negativa.

Um aspecto desse livro que torna ele muito verossímil é que a Esther, a personagem principal, tem tudo pra ser feliz, uma bolsa na faculdade para estudar Inglês, consegue vários prêmios  e até um estágio muito bom, que é o sonho de muitas meninas, mas que não conseguem mudar esse sentimento de não merecimento e de tristeza por não ser grata.

Esse sentimento todo só piora a depressão, só agrava mais ainda a incapacidade dela de se adaptar e de querer isso, não tem como falar muito desse livro porque ele vai se desenvolvendo de acordo com as situações que a Esther vai vivendo e falar mais sobre isso estragaria a descoberta.

Fica a dica de um livro triste, bonito e tocante.

Até a próxima! ;)




domingo, 21 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá Lido # 63 - O jardim secreto, Frances Hodgson Burnett

ISBN: 9788563560605
Ano: 2013
Páginas: 344
Editora: Penguin-Companhia
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: Clássico da literatura inglesa, O jardim secreto conta a história de duas crianças solitárias que decidem restaurar um jardim proibido, cujo mistério remete a um
acidente ocorrido anos atrás.
A amizade improvável entre os dois personagens funciona como uma metáfora para a descoberta do mundo e para o autoconhecimento.
Escrito em 1911, o livro já inspirou diversas montagens no teatro e três filmes - entre eles, o longa americano homônimo de 1993, dirigido pela polonesa Agnieszka Holland, vencedor do prêmio Bafta.
Esta edição traz introdução e notas da romancista e crítica literária Alison Lurie e um posfácio de Marise Soares Hansen, mestre em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo. Em seu texto, ela traça paralelos do romance com autores importantes de literatura de língua portuguesa, como Eça de Queiroz e Clarice Lispector.
Durante a maior parte de sua vida profissional, Frances Hodgson Burnett foi uma escritora de sucesso. Desde cedo sustentou a si mesma (e a várias outras pessoas) com seus escritos. Suas peças de teatro, contos para revistas e romances ajudaram a tirar a mãe e as irmãs da pobreza. Sua carreira também pagou pela pós-graduação em medicina do primeiro marido e garantiu ao segundo a oportunidade de estrelar uma peça em Londres.


Preciso começar dizendo que esse livro é doce, sensível, cativante e conquistou meu coração! ;)

Dito isso posso falar tranquilamente sobre esse livro que narra a história de uma garotinha que morava na Índia, em uma aldeia que tem uma epidemia de cólera e leva quase todos à morte e quem não morre foge.

Os pais e a baba dela morrem e ela fica sozinha nessa aldeia, em um quarto até que soldados ingleses a encontram. O nome dessa garotinha é Mary Lennox  e ela é mal humorada e ranzinza, nunca foi amada pelos pais e era cuidada pela ama que fazia todas suas vontades, com isso ela se tornou mimada e a arrogante, enfim, uma menina difícil de se amar.

A única pessoa que sobrou na vida dela foi um tio que ela nunca viu e que mora na Inglaterra, ela muda para casa desse tio e lá percebe que as coisas são bem diferentes do que ela estava acostumada. Diferentemente da Índia, os criados aqui não estavam nem ai pra ela desde que ela ficasse longe do caminho deles, que não atrapalhasse e não fosse para a área restrita da mansão.

Nessa casa existe uma criada chamada Martha, que mesmo tentando ser fria com ela não consegue, porque se lembra dos seus próprios irmãos e não consegue deixar de se sensibilizar com as diferenças, com a apatia e falta de vida de Mary. Com isso ela manda a menina para o jardim conhecer a natureza, a vida que circula no mundo.

O jardim nesse livro é uma alegoria à vida, ao despertar e florescer, como um jardim (coração) abandonado, ao receber cuidados e atenção ganha vida.
A amizade com Dickon, que é um menino doce, alegre e cheio de vida, a admiração e o próprio jeito meigo de cuidar dos animais e do jardim que ele tem, mostra pra Mary que ela pode ser assim e que basta abrir o coração pra vida que flui na charneca, no jardim e em todos os lugares possam toca-lá e deixa-lá cheia dela.

No decorrer do livro Mary vai mudando, vai se relacionando com outras pessoas e descobrindo mistérios da casa e de sua própria família. Essas descobertas mudam seu lugar no mundo e a forma de ver o mundo e as pessoas, essa é a delicadeza do livro, a forma como o cenário e a natureza se relacionam com a descoberta de si mesma e do amor e da amizade.

Quem ai já leu?
O que achou?

Até a próxima! ;)

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sábado, 20 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 62 - Os miseráveis, Vitor Hugo

Volume 1
ISBN: 9788540502321
Ano: 2013 
Páginas: 1128
Editora: Cosac Naify

Volume 2
ISBN: 9788540502321
Ano: 2013 / Páginas: 1972
Editora: Cosac Naify

Sinopse: Hugo narrou seu romance magistral numa linguagem que representou para a literatura "o mesmo que a Revolução Francesa na História", segundo o crítico Sérgio Paulo Rouanet. O fio condutor é o personagem de Jean Valjean, que, por roubar um pão para alimentar a família, é preso e passa dezenove anos encarcerado. Solto, mas repudiado socialmente, é acolhido por um bispo. O encontro transforma radicalmente sua vida e, após mudar de nome, Valjean prospera como negociante de vidrilhos, até que novos acontecimentos o reconduzem ao calabouço.

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Desde que eu comecei a ver os vídeos da Glaucia, do canal Enstante Indiscreta fiquei doida pra ler esse livro, na minha versão esses livros, porque são dois.

Eu li o primeiro no meio do ano passado, nas minhas férias de julho, mas como fiz a Maratona Literária fui deixando pra lá, também fiquei meio chateada pela edição, não sou muito de reclamar, mas nesse caso preciso abrir uma exceção e  reclamar um pouco.

Essa edição é cara, ganhei de presente de dia dos namorados do meu marido em 2013, então tem ainda mais valor sentimental, como eu carrego livros na mochila, as vezes eles danificam um pouco, mas sou super cuidadosa, deixo eles em um bolso separado, coloco em capinhas e tal, mas nem isso protegeu bem minha edição.
Ela tem uma capa super fininha, que amassa fácil, além disso como eu coloquei a capa para proteger, começou a levantar um plástico bem fino que protege essa capa, como essa edição não tem orelha tem que tomar bastante cuidado na hora de guardar dentro do box.


Fora isso, o cuidado com a edição é nítido, é uma edição muito caprichada, mesmo com as  folhas mais finas não dá pra ver a sombra do que está impresso no verso, a folha é de um tom leve de creme, digamos que um branco sujo de creme.
O fato de a edição ser menor e ter essas folhas mais finas, deixa ela leve, o que torna a leitura mais confortável e a fonte também tem um tamanho que não deixa a leitura cansativa.

Agora sobre o livro, existem alguns pontos que são comuns aos leitores, o primeiro é se sentir um miserável lendo o livro e o segundo que o Vitor Hugo divaga muito, é muito descritivo e o narrador ás vezes cansa, concordo em partes.

Esse livro me fez mesmo me sentir uma miserável, mas não no sentido de pobre e de passar fome, mas no sentido de não dar valor as coisas e de ser humana, demasiadamente humana, de não conseguir sentir a dor do outro de forma tão intensa como o Vitor Hugo, ele capta a dor e a miséria da alma humana, dos sentimentos egoístas e mesquinhos.

Muitas vezes esses sentimentos mesquinhos são despertados não nos miseráveis materiais, mas sim nos miseráveis de moral, de caráter. As coisas mais bonitas e singelas desse livro são feitas por pessoas que sofrem com a miséria, esse livro exalta isso e dá um belo murro no estômago de nós, meros mortais que não tiramos o olho do próprio umbigo.

O livro tem sim muita descrição e até mesmo um pouco de enrolação do narrador, mas com o decorrer da história a gente percebe que não é enrolação, todos os fatos mostrados por ele tem uma relevância na história mais pra frente.

Os personagens são tão bem construídos que parecem pessoas reais, cada personagem acrescenta uma face a história, é como se cada um deles fosse um pedaço da história da França, da Revolução estudantil e do livro mesmo, porque as coisas nos são apresentadas de acordo com as experiências deles.

Outra coisa fascinante é que nenhum personagem é cem por cento bom ou cem por cento mal, cada um deles é composto por defeitos e qualidades, gestos ruins e gestos bons.

O livro fala sobre guerra, revolta, miséria e ódio, mas fala também sobre muitas formas de amor, existem cenas lindas dentro de momentos pesados, cenas doces e divertidas, por mais que seja um livro denso, é uma leitura incrível e prazerosa em quase todos os momentos.

Meus personagens preferidos com certeza são Gavroche e Fantin, também adoro o Jean Valjean e a Éponine! <3

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 60 - Norwegian Wood, Haruki Murakami

ISBN: 9788560281527
Ano: 2008
Páginas: 359
Editora: Alfaguara
Avaliação Pessoal: 
Skoob

Sinopse: Em 1968, Toru Watanabe acaba de chegar a Tóquio para estudar teatro na universidade, e mora em um alojamento estudantil só para homens. Solitário, dedica seu tempo a identificar e refletir sobre as peculiaridades dos colegas. Um dia, Toru reencontra um rosto de seu passado - Naoko, antiga namorada de seu grande amigo de adolescência Kizuki antes deste cometer suicídio. Marcados por essa tragédia em comum, os dois se aproximam e constroem uma relação delicada onde a fragilidade psicológica de Naoko se torna cada vez mais visível até culminar com sua internação em um sanatório.


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Sabe aquele livro que você se apaixona a primeira vista, por foto e fica toda vez pensando nele, quando vai na livraria pega cheira, abraça, namora, nas lojas virtuais ele sempre vai pro carrinho... Até que um dia você desiste de resistir, agarra ele, faz carinho, leva pra casa e já separa pra ler? 

E ai tem aquela surpresa...

...surpresa ÓTIMA, porque simplesmente o livro ecoa dentro de você, ele te toca e se torna um amor, um daqueles livros que você salvaria em um incendio... 

Pois é, acho que serei um pouco muito parcial pra falar desse livro, porque ele é a melhor ou a segunda melhor coisa que eu li esse ano.

Bora entrar no clima??



Ele tem o nome devido a essa música dos Beatles (pra quem não sabe, eu amo os Beatles) e essa música tem tudo a ver com a história, com o clima do livro que se passa no fim dos anos 60, com aquele sentimento de mudança e de lidar com coisas que não entendemos bem.

Claro, que decidi ler o livro depois que vi uma foto da Lua Limaverde (que tem gosto literário fantástico, diga-se de passagem) e percebi que tinha o nome de uma música dos Beatles, essa capa linda e o Murakami. Mas  não sabia nada sobre o livro, não leio nem a sinopse,  mas é como eu sempre digo  livro te escolhe e ele me fisgou completamente.

Norwegian Wood (o livro) é sobre um garoto chamado Toru, que nasceu e foi criado no interior do Japão e que na adolescência tem que lidar com a morte de uma pessoa querida e com as mudanças que essa morte trás para as pessoas que ficaram vivas.

Esse livro lida com coisas profundas como a morte, o sentimento de perda, suicídios e depressão, mas lida com temas mais leves, como o primeiro amor, a descoberta do sexo, a mudança da adolescência para a idade adulta e a descoberta de si mesmo.

É um livro triste, mas, adoro livros tristes... melancólicos, que peguem meu coração e apertem até ele ficar pequenininho... não sei explicar, só sei que gosto.

O Toru vai pra Tóquio estudar, lá ele reencontra a Naoko, que é a ex-namorada do seu melhor amigo suicida e esse encontro muda o rumo das coisas, não é uma relação fácil, é doloroso pra eles, é como se o amigo estivesse sempre pairando sobre eles e eles tivessem que lidar com isso. Só que eles não lidam, eles fogem, é quase um tabu falar sobre isso, é doloroso, lidar com a morte de alguém querido, mesmo que junto de alguém dói.

A história gira em torno desse relacionamento, de como eles lidam com essa perda, de como superam ou não essa morte e de como isso afeta a vida deles e o próprio relacionamento deles. 
Também vão surgindo outros relacionamentos na vida deles e esses relacionamentos vão mudando a personalidade deles, a forma deles de verem as coisas, de sentir e de se enxergar.

Claro que os livros conversam de maneira diferente com cada leitor, cada um sente um coisa pelo livro e pelos personagens, mas esse livro me tocou, pela sensibilidade como os temas são abordados e pelos personagens, eles são tão humanos que dá vontade de encontrar com eles para tomar um café.

É uma história sobre perda, amor, dor e descobertas, é um livro doce e triste e é um livro que merece ser revisitado muitas vezes.

Hehehe eu avisei que não conseguiria ser imparcial... fica a dica!

Até a próxima!

;)

PS: Descobri que tem um filme desse livro, aqui dá pra ver o trailer do filme, depois que assistir eu conto pra vocês o que eu achei! :)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Fabi ~> Top 20 - Melhores Leituras de 2013

Um ano carregado de descobertas maravilhosas, tanto autores como livros incríveis, eu não consigui escolher cinco ou dez e decidi separar livros de HQs, não está por ordem de preferência, esse ano li muitos livros que viraram favoritos, então não tinha como escolher só 10, seria injusto deixar de fora livros que eu amei e escritores que surgiram pra ficar na minha vida de leitora e me fizeram querer ler a obra deles completa.

Não vou escolher um preferido nem nada vou falar de livros que eu recomendaria pra qualquer pessoa de olhos fechados porque eu adorei e acho que todo mundo merece ler um livro tão bom ok?

:: Livros ::

1) A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffenegger
5) A Laranja Mecânica, Anthony Burguess
11)1984, George Orwell
12) Os Miseráveis vol.1, Vitor Hugo
13) Morte Súbita, J. K. Rolling
14) O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

:: HQs ::

1) Maus, Art Spielgman (HQ)
3) Habib, Craig Thompson  (HQ)
4) Laços, Lu Caffagi e Victor Caffagi (HQ)
5) Sandman, Neil Gaiman (HQ)
6) Os livros da Magia - Neil Gaiman (HQ)



Por ai dá pra ver que eu gosto de livros com pelo menos uns 50 anos de lançamento...rs
Que eu adoro neil Gaiman...
Que muitos livros bons ficaram de fora...
Que eu sou muito indecisa pra colocar apenas 10 livros...rs