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sábado, 3 de maio de 2014

'Tá Lido #48 - Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Márquez

Cem anos de solidão

Autor: Gabriel Garcia Márquez
Editora: Record
Páginas: 447
Tradutor: Eric Nepomuceno
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: Em Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Márquez narra a incrível e triste história dos Buendía - a estirpe dos solitários para a qual não será dada uma segunda oportunidade sobre a terra. O livro também pode ser entendido como uma autêntica enciclopédia do imaginário.

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Um livro que  garantiu  um Nobel  à Gabriel Garcia Marquez, um dos grandes escritores latino-americanos, diferente de tudo que eu já li, misterioso, triste e lindo ao mesmo tempo.
Comecei esse livro sem saber bem o que esperar, imaginei um romance e me deparei com uma obra que varia entre realismo fantástico e fantasia pura, mistura um pouco da história dos povos latino-americanos com a criação própria de Gabo.
O que me surpreende é a forma de abordar o poder e as aspirações de cada um, a forma de apontar os mais íntimos desejos e ao mesmo tempo engrandecer e ridicularizar eles mesmos.
A narrativa não é linear, ela dá voltas e mostra diferentes pontos de vistas e acontecimentos, é como se fosse feito de flashs, o passado explica o futuro e o futuro está escrito em consequência do passado, como se ele estivesse pré-definido por conta dos antepassados, seus nomes e suas histórias interferem no futuro e nas escolhas dos descendentes.
Macondo é uma cidade linda, pura e um recanto de paz e simplicidade, um pedacinho do paraíso na Terra, o contato com as pessoas e com a natureza é sincero e sem complicações, até que o progresso chega do estrangeiro e abala toda essa estrutura, muda a vida do povoado e o povoado em si. Pra melhor? Não, nem sempre o progresso ajuda, não é mesmo.
Outra coisa que acho muito interessante é a presença de um membro na família que gera a paz e a ordem, mesmo de forma sutil, pessoas que tem personalidades delicadas são esquecidas e pessoas que tem personalidade tão forte, que se impõe sobre os outros, tomando a frente das situações e mudando a vida das pessoas que as cercam ao seu bel prazer.
A forma como a casa e o vilarejo se relacionam com a família Buendía é bem interessante, a estrutura e a forma deles vão se ajustando de acordo com a posição, tamanho e as atitudes da própria família. Acho isso sensacional.
Acho que esse livro merece todo o reconhecimento e quero ler todos os outros livros dele, adoro quando gosto tanto de um livro que fico com vontade de ler todas as obras do autor. Tenho apenas mais um livro dele, A, mas acho que o próximo que eu vou ler é Amor nos tempos de cólera.

E você já leu? Indica algum ou tem vontade de ler outro livro dele?

Até a próxima!

;)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

'Tá Lido #42 - Ficções, Jorge Luís Borges

Ficções


Autor: Jorge Luis Borges
Páginas: 174  
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Ficções, publicado originalmente em 1944, é a obra que trouxe reconhecimento universal para Jorge Luis Borges, graças, entre outros motivos, ao caráter fora do comum de seus temas, abertos para o fantástico, e a inesperada dimensão filosófica do tratamento. O livro, em sua versão atual, reúne os contos publicados em 1941 sob o título de 'O Jardim das Veredas que se Bifurcam' (com exceção de 'A Incorporação a Almotásim', incorporado a outra obra) e outras dez narrativas com o subtítulo de 'Artifícios'.



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Gente achei que já tinha postado essa resenha há tempos, mas nunca tarde para recomeçar né (clichê e brega, mas tá certo rs).

Borges é sempre uma descoberta nova e totalmente bizarra, bizarra sim, mas no bom sentido, no de surpreender e causar certo estranhamento. É como se as histórias de Borges passassem em uma realidade alternativa, distante, mas próxima da nossa em alguns aspectos.

Quando eu li a história universal da infâmia, livro que pelo que pesquisei foge um pouco das características do escritor, fiquei com uma sensação de filme de bang bang ou de filmes do Tarantino, mas com esse a sensação é de que ele esta narrando um fato ou contando uma história como expectador.
Sabe quando a gente senta numa roda de amigos e fica contados casos, pois é, mas esses casos são contados de acordo com a visão dele e sob o ponto de vista um tanto peculiar que lhe é próprio.

Gostei da maior parte dos contos, mas principalmente da seleção, ela é eclética e um pouco imprevisível, afinal os assuntos variam de sobrenatural à coisas banais e cômicas. 
O que mais me fascina é a ideia de que ele esta repassando os fatos, ou dando a sua versão de histórias que todos já ouviram pelo menos um pedaço, ou comentário.

Um exemplo vivo disso é quando ele fala sobre Babel, ou sobre Dom Quixote e em alguns contos, por mais que eu não conheça a história ou lenda de origem, eu sinto que é uma história mais antiga que o Borges. Deve parecer bem confuso o que eu escrevi né?

Mas Borges me causa isso com seus finais inesperados e com a sensação pós-leitura que eu não captei a essência do que ele queria dizer, mas afinal será que ele queria dizer alguma coisa, ou quem diz o que o livro representa é seu leitor, que interpreta baseado nas suas próprias experiencias e expectativas?

Se o próprio autor dá margens para esses questionamentos, quem sou eu pra negar? 

Até a próxima e leiam Borges...rs 

sábado, 6 de julho de 2013

Tá Lido #6 - Histórias Extraordinárias - Edgar Allan Poe

Esse livro que reúne 18 contos de mistério e terror de Edgar Allan Poe, selecionados, traduzidos e apresentados por José Paulo Paes em uma edição da Companhia das Letras, daquele selo Companhia de Bolso.



O primeiro conto desse livro é Ligéia, o que eu menos gostei de todos, ele foi uma leitura arrastada pra mim, acho que esse conto tem muito da vida de Poe, pois ele sempre esteve cercado de morte, todas as mulheres que ele amou morreram e isso influenciou diretamente não só sua obra, mas sua vida também.

Ao contrário do que muita gente pensa, Poe é norte-americano e não inglês, ele nasceu em 19 de fevereiro de 1809 em Boston. Seus pais eram atores e após a morte de sua mãe Edgar Allan Poe foi entregue a um casal de comerciantes de Richmond, os Allan, o Sr. Allan era muito rigoroso, mas a Sra. Allan era o alento e quem proporcionava uma infância um pouco melhor para Poe.

Em 1927 ele publica seu primeiro livro, logo após ter passado um ano na universidade e se endividado, sendo obrigada a largar os estudos, serviu ao exército, escreveu em jornais, mais seu gênio difícil sempre foi uma barreira ao seu secesso, se casou, ficou viúve, se casou novamente e teve uma morte um tanto quanto esquisita.  (Aqui e aqui a Tatiana Feltrin fala sobre o Poe com muito mais propriedade  do que eu, aliás quis ler Poe por "indicação" dela, se você ainda não conhece o blog e o canal dela, vale muito a pena dar uma conferida, ele tem um gosto literário maravilhoso)


Agora voltando ao livro, em alguns momentos amei cada palavra e em outros não conseguia nem ler o conto de tão chato, no geral posso dizer que eu gostei, não vou virar fã de poe nem nada do tipo, mas pretendo reler alguns contos daqui um tempo.




Os meus contos preferidos são:

  • O coração delator
  • O sistema do Doutor Alcatrão e do Professor Pena
  • A máscara da morte rubra
  • A carta roubada

Acho que a maior surpresa pra mim foi descobrir que o Dupin, detetive do Poe, inspirou a criação do Sherlock. Adorei os contos de suspense, crimes e investigação, talvez por ser uma inclinação minha mesmo, pois não sou a maior fã de terror, isso ficou bem claro pra mim durante a leitura deste livro. E o conto que eu mais gostei com ele foi A carta roubada.

O coração delator com certeza é o meu favorito de todos, Poe brinca com nossos sentimentos, com nossos medos, o suspense e a tensão fazem o nosso coração acelerar, o medo e a ansiedade misturados com uma dose de loucura, causam uma sensação de impotência e é como se estivéssemos dentro do livro sentindo os anseios do próprio personagem.

A máscara da morte rubra também segue a mesma linha, mas com um pouquinho de terror e uma gota de sangue e coisas macabras, é meio inesperado, meio surpreendente e muito assustador, vale a pena ler, 

Aqui você pode encontrar uma lista com filmes inspirados na obra de Poe.

Por incrível que pareça li dois livros de contos no mês de junho e eu não sou dada a contos, sou uma mulher de romances, de prosa, que gosta de uma história longa e cheia de personagens e reviravoltas. Mas acho que isso tá mudando.


Poe é surpreendente, retrata psicopatas, o medo, a morte e os fantasmas de forma tão natural e real, que chega a ser palpável a ponto de liberar uma carga enorme de  adrenalina, fazer o coração acelerar e você sente medo de palavras, é uma coisa bem psicológica mesmo e esse é o dom dele, saber como combinar uma série de palavras e gerar sensações que vão além do psicológico, são tão fortes que chegam a ser físicas.


Por hoje é só logo, logo eu volto!