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quarta-feira, 12 de março de 2014

{Bel} Impressões de Leitura #48 ~ A Máquina do Tempo (H.G. Wells)

Título: A Máquina do Tempo
Título Original: The Time Machine
Autor: H.G. Wells
Editora: Alfaguara
Número de páginas: 148

Skoob :: Goodreads

Avaliação: 5 estrelas!

Sinopse: A Máquina do Tempo: a mais espantosa das invenções, capaz de levar seu criador a uma viagem surpreendente através de milhares de anos de transformações sobre a Terra. Novos seres ocupando a superfície e as entranhas do planeta, vivendo numa incrível civilização do futuro, onde a luta pela vida é implacável. O final dos tempos e a agonia do sistema solar com o colapso de nossa estrela, prestes a explodir.Uma história de aventura e emoções inimagináveis, esta obra também é uma reflexão sobre os valores de nossa sociedade e sobre o mundo que construímos hoje.


Eu decidi que vou ler mais ficção científica em 2014. É um gênero o qual não lia há anos e, pode não parecer, eu adoro. Já comecei o ano lendo “2001: Uma Odisseia no Espaço” e me empolguei demais. Em seguida, decidi experimentar H.G. Wells e não foi diferente!

Esse livro é um claro exemplo que demostra que a obra não precisa ter uma história longa e muitas páginas para ser bom. Em poucas páginas, Wells nos descreve, com uma riqueza imensa de detalhes, a experiência do Viajante do Tempo com sua recente construção, a Máquina do Tempo.

O livro é narrado por um dos intelectuais que frequentam a casa do Viajante. Ele relata o que ouviu do Viajante após voltar de sua viagem ao futuro. Portanto, as emoções do Viajante são descritas mais surperficialmente, captamos o carinho que ele sente por Weena através da descrição dos gestos dele com ela e, claro, os mais óbvios, como medo, cansaço e curiosidade. Entretanto, os sentimentos mais profundos ficam por conta da imaginação do leitor.

O livro se inicia com uma discussão entre o Viajante e os intelectuais que estão em sua casa. O assunto aborda a quarta dimensão e a possibilidade do ser humano se movimentar nesta, tanto para o passado, quanto para o futuro.

Ele mal finaliza sua máquina e já faz uma viagem para o futuro. E vai parar no ano de 802.701. Ele encontra um cenário paradisíaco, com muita natureza e habitado por um povo, os Elóis, que são todos muito parecidos entre si, são bem baixos e falam um idioma desconhecido.

Entretanto, eles não são a única espécie descendente do ser humano que habita o local. Há os Morlocks, que moram no subsolo, são totalmente adaptados à escuridão e à noite. Os Elóis tem muito medo dos Morlocks, pois são presas para eles.

Em determinado momento, a máquina do tempo desaparece e o Viajante embarca em uma busca incansável de seu invento para voltar para casa. Ele passa 8 dias no futuro e desenvolve uma relação de amizade com uma Elói, a Weena.

Ele encontra vestígios do passado da humanidade por aquela região. Museus, máquinas, produtos químicos e, também, conhece frutas e flores diferentes.

A narrativa do livro é muito bem conduzida e, mesmo que a história tenha sido narrada por uma pessoa que ouviu o relato do Viajante, a sua essência não foi perdida. E todos os conceitos e teorias que o Viajante usa como argumento para seu experimento são muito convincentes.

O espanto e a surpresa do Viajante diante do que a Terra se tornou após milhares de anos, foram muito bem expostos e, juntamente com as descrições fantásticas de Wells, o livro fica muito fácil de ser visualizado, muito fácil de entrar na história e sentir como estivesse em um planeta diferente.

Sempre ouvi falar do autor, do livro e do filme, mas eu sempre acabava por ficar na zona de conforto. E me surpreendi muito mesmo com a sua escrita, os assuntos abordados e já emendei a leitura de outro livro dele, logo em seguida. E estou adorando tanto quanto este.

O livro é bem curtinho, dá para ser lido em um dia apenas. E mesmo sendo curtinho, ele é detentor de uma riqueza sem igual. É de ficar impressionado diante do que Wells tinha em sua mente para escrever essas histórias, em finais do século 19.

Eu assisti ao filme logo em seguida. Eu assisti ao filme de 2002 e há muitas diferenças mesmo entre o livro e o filme. Enquanto o livro é mais voltado para a ciência, estudo da quarta dimensão e o que o mundo se tornou, o filme fica mais focado em mostrar que não podemos mudar nada do passado. É bem diferente mesmo. Há um romance que não há no livro. O filme é legal, mas o livro é muitíssimo melhor!



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Um abraço
Bel VF 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

{Bel} Impressões de Leitura #40 ~ 2001: Uma Odisseia no Espaço (Arthur C. Clarke) ~ Fórum Literário Entre Pontos e Vírgulas

Título: 2001: Uma Odisseia no Espaço
Título Original: 2001: A Space Odyssey
Autor: Arthur C. Clarke
Editora: Aleph
Número de páginas: 332

Skoob :: Goodreads

Avaliação: 4 estrelas!

Sinopse: No alvorecer da humanidade, a fome e os predadores já ameaçavam de extinção a incipiente espécie humana. Até que a chegada de um objeto impossível, além da compreensão das mentes limitadas do homem pré-histórico, prenunciasse o caminho da evolução. Milhões de anos depois, a descoberta de um enigmático monolito soterrado na Lua deixa os cientistas perplexos. Para investigar esse mistério, a Terra envia para o espaço uma nave tripulada por uma equipe altamente treinada, assistida por um computador autoconsciente. Do passado distante ao ano de 2001, da África a Júpiter, dos homens-macacos à inteligência artificial HAL 9000, penetre a visão de um futuro que poderia ter sido, uma sofisticada alegoria sobre a história do mundo idealizada pela mente brilhante de Arthur C. Clarke e imortalizada nas telas do cinema por Stanley Kubrick.


Livro lido para o Fórum Literário Entre Pontos e Vírgulas. Primeiramente vamos ao enredo do livro e a resenha de sempre ;)

Com referência ao período no qual o livro foi escrito, que foi na década de 60, simultaneamente à produção do filme, a história principal do livro se passa em um futuro, no final da década de 90 até 2001. Neste período, a coisa mais comum era o homem no espaço, pesquisas de ponta para construção de naves espaciais de longa viagem etc.

Inicialmente, o livro é ambientado em uma época remota do planeta, quando os homens eram mais parecidos com os macacos do que com o que somos hoje em dia. Por um tempo, o que temos é apenas o dia a dia deles, com dificuldades para conseguir alimentos, sede, fugir do leopardo que os atacava e tentando impor sua soberania sobre outro grupo, que fica do outro lado do rio. Certa noite, os homens-macaco ouvem um barulho estranho e vão correndo ver o que é.

Encontram um estranho bloco negro, que parece absorver toda a luz que nele incide. É a primeira aparição do monólito. Este monólito emite sinais que parecem ter influência sobre a mente dos homens-macaco, como se estivesse induzindo e transmitindo certos comportamentos e conhecimentos. E, da mesma maneira que o bloco escuro aparece, ele se vai, deixando uma chance de evolução aos homens.

Em seguida, temos um gigantesco salto no tempo e temos uma chamada inesperada ao Dr. Floyd, já no final década de 90, para ir até a Lua, para verificar uma anomalia encontrada em solo lunar. A equipe de pesquisa que encontrou a anomalia pede total sigilo. Até um boato de epidemia está se disseminando entre os pesquisadores e os civis na Terra.

A viagem dele é tranquila. Com uma nave, chega até uma estação espacial e pega uma nave cargueira para a base lunar Clavius. Chegando lá, ele entra em uma reunião com os pesquisadores que revelam o que é a AMT-1 (Anomalia Magnética de Tycho Um). Ele desce em solo lunar com os pesquisadores e segue para a cratera de Tycho para conferir mais de perto o que estava causando tantas alterações na leitura do campo magnético da Lua.

Ao chegar ao local das escavações, ele se depara com um bloco totalmente negro, sólido e que é de matéria totalmente desconhecida. Mais uma vez, o ser humano se encontra com o monólito e, assim como o que encontrou os homens nos primórdios da Terra, este também parecia absorver toda a luz. E, em dado momento, o bloco parece emitir um ruído que interfere em todo o sistema de rádio da equipe. Era uma evidência de vida inteligente que os cientistas haviam encontrado fora do planeta Terra. Estudos mostraram que aquele monólito estava enterrado ali há 3 milhões de anos.

Temos mais um pequeno salto no tempo, cerca de um ano e meio após esse evento na Lua. E é neste trecho do livro que o autor mais desenvolve o enredo.

Uma expedição pelo espaço, a bordo da gigantesca nave Discovery, na qual cinco cientistas estão indo até Júpiter e Saturno para coletar dados desses dois gigantes. A tripulação é composta por 5 pesquisadores, sendo que 3 estão em hibernação e só acordarão quando chegarem a Saturno. E ainda conta com um supercomputador, HAL 9000, que é conhecido por nunca cometer erros e ainda possui um ego. É capaz de conversar com as pessoas.

A viagem está correndo bem até que HAL reporta um problema em um componente da antena de comunicação da Discovery. Os cientistas, Dave Bowman e Frank Poole, decidem trocar a peça, entretanto, esta estava perfeita. A confiança deles em HAL começa a ficar abalada. E HAL percebe isso e começa a tentar a tomar controle da missão, evitando a todo custo que os cientistas tentem desligá-lo, mesmo que para tal seja necessário matá-los.

E a partir daqui, a expedição será uma batalha entre o ser humano e o computador, pela sobrevivência e para dar sequência à pesquisa. Muitas coisas acontecem, os cientistas chegam a situações extremas para lutar pela vida.

O que eu achei do livro? É um livro muito bom mesmo, daqueles que nos prendem do início ao fim, mesmo a narrativa sendo bem lenta e cheia de termos científicos, afinal Clarke era matemático e físico, o que deixou tudo muito convincente por sinal. O livro possui poucos diálogos para o tamanho da obra. A maior parte do desenvolvimento do enredo é uma narrativa do que vai acontecendo com os cientistas e os detalhes de cada parte da missão.

Até certo ponto, eu achei o livro sensacional, mas o autor pecou um pouco no final dele, o que fez com que eu tirasse uma estrela da minha avaliação final. Mas ainda assim, é uma leitura super recomendada e que ninguém pode passar sem ler!

Foi um livro que eu devorei em apenas quatro dias e me deixou com vontade de ler muito mais livros do gênero. Comecei 2014 com ótimas leituras e espero que continue assim.

E aí que, fazendo algumas pesquisas, descobri que há mais 3 livros continuando a história da odisseia! São eles: 2010: Uma Odisseia no Espaço II, 2061: Uma Odisseia no Espaço III e 3001: A Odisseia Final, todos, claro, por Clarke.

Eu também assisti ao filme, mas não tive a mesma sensação que tive ao ler o livro. Há diferenças no enredo, claro, porém o filme é lento demais, com algumas cenas realmente desnecessárias, que poderiam deixar o filme muito mais dinâmico e mais curto, caso fossem cortadas. O filme ficou lento e longo, muito cansativo mesmo. Toda essa lentidão das cenas foi proposital, pois certas coisas no espaço devem ser feitas bem devagar, mas é algo que não agrada a todos, como eu por exemplo.

É um filme subjetivo demais e que, se não tiver lido o livro antes (como eu fiz, dããã), muita coisa vai passar sem ser compreendida. Portanto, leiam o livro antes, ele vai preencher muitas lacunas do filme e vai ajudar a compreender algumas cenas do filme.

O que eu gostei mesmo do filme foi da trilha sonora dele, com músicas clássicas que eu não ouvia há muito tempo mesmo! E outra coisa que eu achei muito legal foi assistir a um filme já antigo, de certa maneira, e perceber que ótimos já eram os efeitos naquela época. Apesar da história não ter ficado muito clara para mim de início, eu achei a produção dele muito boa.

As músicas da trilha sonora estão logo abaixo e recomendo muitíssimo que vocês escutem! É ótima! Coloquei um link para o YouTube nas músicas. Esta lista abaixo é a relação de músicas que foi lançada na época em que o filme foi lançado. E também dá para ouvir a trilha sonora lançada em 1996 pelo UOL - AQUI.


~ ATENÇÃO ~
A PARTIR DESTE PONTO, HÁ ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA E O FILME, BEM COMO COMPARAÇÕES COM SPOILERS. CASO JÁ TENHA LIDO O LIVRO E ASSISTIDO AO FILME, PROSSIGA CLICANDO EM “CONTINUE LENDO”. MAS, SE AINDA NÃO LEU O LIVRO E NÃO VIU O FILME, FICA POR SUA CONTA LER SPOILERS SOBRE A HISTÓRIA, É SÓ NÃO CLICAR EM “CONTINUE LENDO”.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Tá lido #13 - Admirável mundo novo, Aldous Huxley


Admirável Mundo Novo
Autor: Aldous Huxley 
Páginas: 310
Editora: Abril
Sinopse: Ano 634 d.F. (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (pré-condicionados) têm comportamentos (pré-estabelecidos) e ocupam lugares (pré-determinados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime. Os conceitos de "pai" e "mãe" são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia: acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo. Extraordinariaamente profético, "Admirável mundo novo" é um dos livros mais influentes do século 20. 

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Esse livro é um livro feito pra incomodar desde o começo, ele mostra o quanto somos preconceituosos apresentando uma sociedade com valores não totalmente diferentes do nosso, em um mundo onde o Cristo é Ford, as pessoas fazem tudo coletivamente, as mulheres não geram seus filhos, mas sim máquinas que determinam as funções e as castas de todo mundo, acrescentando ou não produtos químicos específicos pra desenvolver ou ou partes do organismo e onde a modernidade, a higiene, a coletividade e a poligamia são as máximas.

Cada casta da sociedade é responsável por determinada função e não se mistura muito com as outras e as classes tem um preconceito com a outra e acha que a sua é a melhor, porque desde criança são condicionadas a acreditar nisso, seja por ouvir várias repetições dormindo ou pela convivência e educação que recebem nas escolas. O pior disso é que eles perdem a capacidade de criar uma personalidade e de ter suas próprias ideias, da pra perceber no decorrer das histórias que algumas frases são muito repetidas e por diferentes personagens.

Por exemplo, as mulheres carregam uma bolsinha com métodos contraceptivos e soma, que é uma droga que causa as mesmas sensações da cocaína e do álcool, mas sem causar ressaca ou efeitos adversos e cada dose causa uma sensação diferente, por exemplo duas somas fazem você esquecer as ultimas horas e ficar meio alienado e o mais engraçado é que as pessoas oferecem a soma como oferecem um chiclete e dizem sempre as mesmas frases prontas sobre isso.

Nesse mundo utópico livros e atividades individuais são proibidos, o sexo tem que ser só casual e não existem relacionamentos amorosos, tudo é apenas por diversão. Um homem que é da casta mais alta, chamado Bernard se sente deslocado e vazio nesse mundo, por ter uma aparência diferente dos homens de sua casta ele é desprezado pelas mulheres e se torna amargo, solitário e questionador de todo o sistema, ele que se sentir parte de alguma coisa e importante para alguém.

Buscando se encontrar ele decide visitar uma colônia de selvagens, ou seja, pessoas que vivem a margem dessa sociedade moderna, vivem como se vivessem antes da era de Ford, ou seja as mulheres geram seus filhos, a higiene é mais precária, eles tem religião e são considerados índios. 

Chegando lá ele encontra um selvagem que lê Shekespare, que não faz parte da sociedade a sua volta e nem da do Bernard e sua mãe. Isso pode mudar completamente a vida de Bernard e até mesmo proporcionar algumas explicações, quando ele decide levar o selvagem e sua mãe para a sua sociedade e também pode causar muitas complicações.

Esse livro levanta muitas questões morais e te faz pensar em como você se comporta, em como a sociedade influencia na sua vida, o quanto suas ideias são próprias, o quanto somos preconceituosos com as pessoas diferentes de nós e várias outras coisas, esse livro começa e termina de forma incomoda, o fim é chocante, mas cada linha e cada palavra desse livro valem a pena, esse livro tem que ser lido por quem gosta de ficção científica, de reflexões e de livros que façam pensar!

Esse foi o primeiro livro resenhado da Maratona Literária.
Por hoje é só!