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domingo, 27 de abril de 2014

{Bel} Impressões de Leitura #52 ~ O Meu Pé de Laranja Lima (José Mauro de Vasconcelos) ~ TAG 12 Livros para 2014

Título: O Meu Pé de Laranja Lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos
Número de Páginas: 190

Skoob :: Goodreads

Avaliação: 5 estrelas e Favorito!

Sinopse: Na obra juvenil mais conhecida de José Mauro, a pobreza, a solidão e o desajuste social vistos pelos olhos ingênuos de uma criança de seis anos. Nascido em uma família pobre e numerosa, Zezé é um menino especial, que envolve o leitor ao revelar seus sonhos e desejos, por meio de conversas com o seu pé de laranja lima, encontrando na fantasia a alegria de viver.


E chegamos ao quarto livro da TAG 12 Livros para 2014! Para ver a minha lista de livros escolhidos para a TAG é só clicar AQUI.

Esse livro eu ganhei de presente da Fabi (Obrigada Amiga!) e foi um alento para a minha alma. Uma inspiração que não poderia ter vindo em melhor hora em minha vida!

Eu não conhecia em nada a história deste livro (shame on me!) e eu pensava que se tratava de uma história infantil, com um conteúdo mais leve e alegre. Quem já leu, pode imaginar como foi minha reação ao me deparar com as inúmeras surras que Zezé levava e com as injustiças que ele sofria.

Zezé é um exemplo de criança que conheceu as mazelas da vida cedo demais. Sabia do lado mais escuro e mau do ser humano logo aos 5 anos de idade e sofria demais com isso. Muitas vezes, a família descontava nele toda a miséria e a situação crítica na qual eles viviam.

Ele é um menino bem levado, aprontava com todos da rua e, às vezes, realmente merecia umas palmadas. Entretanto, quando alguém batia nele, o motivo da surra ia muito além disso. Muito além da arte que ele fizera. Ele se sentia muito mal e culpado.

Durante toda a leitura, a única coisa que eu queria, era pegar o Zezé no colo e protegê-lo da vida dura que o cercava. Criar uma redoma de vidro ao redor dele, colocar o seu Pé de Laranja Lima, chamado Minguinho (ou Xururuca quando ele o queria muito mais do que bem ) e, claro, não poderia faltar, um Portuga velho, com um carro bacana.
"Eu não presto para nada. Sou muito ruim. Por isso é o diabo que nasce pra mim no dia do Natal e eu não ganho nada. Sou uma peste. Uma pestinha. Um cachorro. Um traste ordinário. Uma das minhas irmãs me disse que coisa ruim como eu não devia ter nascido" ~ Zezé
Fiquei com bastante dó dele depois de ler esse trecho. E muito impressionada em pensar como uma criança de 5 anos pensaria assim! Ele sabia o que era a dor, sabia o que era perda. Aprendeu o que era a vida cedo demais.

Fui pega bem desprevenida quanto ao conteúdo desse livro e me senti maravilhada com isso! Me fez amar o livro ainda mais. Ler o que uma criança vê da vida nessa idade, tudo o que ela passou e sentiu, é inspirador, triste. Mas virou livro favorito para a vida toda!
"Agora sabia mesmo o que era a dor. Dor não era apanhar de desmaiar. Não era cortar o pé com caco de vidro e levar pontos na farmácia. Dor era aquilo, que doía o coração todinho, que a gente tinha que morrer com ela, sem poder contar para ninguém o segredo. Dor que dava desânimo nos braços, na cabeça, até na vontade de virar a cabeça no travesseiro" ~ Zezé
Você já parou para pensar quem é o seu Pé de Laranja Lima? Aquela pessoa sem a qual você não vive? Leia esse livro, pare e pense. Você vai enxergar essa pessoa com outros olhos! Estou super emocionada até agora com esse livro.
Por favor, leiam esse livro! É rápido de ser lido, linguagem simples e é também divertido. Literatura da mais alta qualidade garantida!

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Bel VF 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

{Bel} Book Challenge #7 ~ Gathering Blue (Lois Lowry)

Título: Gathering Blue
Autor: Lois Lowry
Editora: Laurel Leaf
Número de páginas: 224
Nível de inglês: fácil a intermediário

Skoob :: Goodreads

Avaliação: 4 estrelas!

Sinopse: In perhaps her strongest work to date, Lois Lowry once again creates a mysterious but plausible future world. It is a society ruled by savagery and deceit and that shuns and discards the weak. Left orphaned and physically flawed, young Kira faces a frightening, uncertain future. Blessed with an almost magical talent that keeps her alive, she struggles with ever broadening responsibilities in her quest for truth, discovering things that will change her life forever.

Este é o segundo livro do “The Giver Quartet”, uma série com histórias independentes e todas distópicas, direcionadas para o público juvenil.

Para ler a resenha que eu fiz do primeiro livro “The Giver”, só clicar AQUI.

Assim como The Giver, este livro se passa em um futuro distante, após vários desastres terem assolado o planeta Terra. Mas, diferentemente do primeiro livro, a sociedade formada nesta história é, de certa maneira, mais primitiva, com conflitos entre moradores, técnicas mais rudimentares de sobrevivência etc.

A nossa protagonista é Kira, uma garota com cerca de 12 anos. Ela nasceu com uma deficiência em uma perna e não consegue andar direito sem o auxílio de uma bengala. Ela acaba de perder a mãe por uma doença e ficou órfã. Ela não conheceu o pai. Ele faleceu antes do seu nascimento, durante uma caçada, na qual ele foi levado pelas feras que habitam a floresta.
“Take pride in your pain; you are stronger than those who have none”
Depois do falecimento da mãe, Kira volta para o terreno onde estava o seu abrigo (que fora queimado para evitar a possibilidade de espalhar doença pela comunidade), e tem uma surpresa. Algumas mulheres da comunidade reivindicavam o lote para construir um cercado para as crianças brincarem.

A líder, Vandara, alega que, por Kira ser defeituosa, ela também deveria ter ficado no campo, junto com os mortos, pois ela não servia para nada, devido à sua deficiência, e também come demais. Esse conflito é levado ao Conselho da comunidade, o qual vai decidir o destino de Kira.

Kira tem uma habilidade muito bonita e quase toda a técnica foi aprendida com sua mãe (que trabalhava na tecelagem da comunidade). Kira sabe bordar e combinar muito bem as cores. E será esse talento que convencerá o Conselho a salvá-la de ir para o campo e ser entregue às feras. Ela será responsável por preservar toda a história e a memória do mundo através de seu talento.

Todo ano, há uma cerimônia, no livro chamada de "The Gathering", na qual o orador ou cantor (The Singer, no livro) canta uma canção longa e lentamente, a "The Ruin Song"contando a história do mundo. E, durante essa canção, ele veste um manto todo bordado com as cenas da canção.

O conselho decide que Kira vai morar no prédio do Conselho para atuar em sua missão de consertar os bordados que já estão se desmanchando e substituí-los por linhas mais novas e coloridas. Entretanto, as linhas não são coloridas, elas devem ser tingidas, mas Kira ainda não aprendera as técnicas do tingimento. Então, ela terá que frequentar a casa de Annabella, uma senhora que sabe a técnica e vai ensinar tudo à Kira.

Neste prédio do Conselho, também mora um garoto, Thomas, que trabalha entalhando peças de madeira, desenhando símbolos da história da humanidade, os quais também são utilizados na cerimônia.

As cores são extraídas das plantas e, somente o azul está em falta, pois a planta que dá o pigmento azul é difícil de ser encontrada próximo à comunidade onde vive. De início, Kira tem dificuldade para memorizar as plantas e as cores que cada uma dá. Mas Thomas a ajuda a memorizar fazendo as anotações e lendo para ela depois (mulheres são proibidas de aprender a ler e a escrever).

Kira tem um objeto que, toda vez que ela o tem em mãos, ela se sente mais segura. É um pedaço de pano, e ela lembra muito da mãe sempre que o segura. E ela é tão apegada a esse pedaço de pano que parece que, como diz Thomas, fala com ela através de mágica. E é em momento desses de saudade da mãe, pensando em coisas que Annabella disse e segurando seu pedaço de pano, que Kira vai começar a questionar algumas coisas sobre as histórias que são contadas para as pessoas da comunidade.

E com a ajuda de seu melhor amigo, Matt, ela vai conseguir todas as respostas para suas dúvidas que possui a respeito do que aconteceu com sua vida e a vida de sua família.

Assim como em "The Giver", temos uma criança como protagonista, a qual vai receber uma grande responsabilidade e se mostrar muito disciplinada e empenhada em cumprir o que lhe foi atribuído. Apesar de não ter sido tão bem desenvolvido como o primeiro livro, "Gathering blue" tem uma sociedade formada que se aproxima mais da realidade, de como seria se realmente o mundo passasse por constantes catástrofes.

O inglês deste livro é um pouco mais trabalhoso de entender. Não foi por questão de vocabulário, mas alguns personagens possuem um modo peculiar de falar, o que dificultava o entendimento algumas vezes. Mas era só ler novamente que tudo ficava entendido. A leitura deste foi bem mais lenta.

Neste livro não temos a preocupação com a precisão da linguagem, tal como no primeiro livro. Encontrei muitas palavras diferentes, mas era só buscar no dicionário que tudo ficava bem. Mas que deu um certo trabalho para concluir o livro, deu sim. Não é um livro difícil de ser lido, pelo contrário, foi bem gostoso de ler, mas este requer um pouco mais de dedicação no entendimento que o primeiro.

Infelizmente, não há tradução deste livro para o português, pelo menos não consegui encontrar nenhuma referência ao livro. Mas, se você já tem um bom conhecimento de inglês e bastante vocabulário, não tenha medo e leia, leitura recomendadíssima!

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Bel VF 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

{Bel} Book Challenge #6 ~ The Giver (Lois Lowry)

Título: The Giver
Autor: Lois Lowry
Editora: Laurel Leaf
Número de páginas: 192
Nível de inglês: fácil

Skoob :: Goodreads

Avaliação: 4 estrelas!

Sinopse: Jonas's world is perfect. Everything is under control. There is no war or fear of pain. There are no choices. Every person is assigned a role in the community. When Jonas turns 12 he is singled out to receive special training from The Giver. The Giver alone holds the memories of the true pain and pleasure of life. Now, it is time for Jonas to receive the truth. There is no turning back.

A primeira vez que ouvi falar desse livro foi em um canal gringo que eu acompanho, da Wiebke, uma alemã fofa, e canal dela é o 1book1review. Ela falou muito bem do livro e já me interessei pela história, pois se trata de uma distopia com foco no público juvenil.

The Giver conta a história de uma sociedade totalmente controlada, equilibrada, perfeita (dependendo do ponto de vista, é claro). Em um futuro distante, após o planeta passar por coisas muito ruins, a humanidade, para ser capaz de voltar a ter condições de sobrevivência, teve que abdicar de algumas coisas, como por exemplo, o amor, a música, cores, sol, neve etc. Eles enxergam tudo em cinza.
“The life where nothing was ever unexpected. Or inconvenient. Or unusual. The life without colour, pain or past”
As famílias são planejadas. Por exemplo, um homem se candidata a se casar e o conselho desta comunidade vai decidir quem é a melhor mulher para formar uma unidade familiar com ele. E, depois de um tempo juntos, esta família pode se inscrever para receber uma criança como filho. 

A comunidade é humilde, com casas pequenas e cada família recebendo a quantidade correta de alimentos todos os dias, para não ter desperdício. Tudo realmente tudo bem equilibrado e organizado.

As crianças são divididas em grupos de idade. Independente do mês do ano que elas nascem, o aniversário e a cerimônia são feitos em Dezembro, todas juntas. Nesta cerimônia, cada criança vai receber um novo item de acordo com a sua idade. Por exemplo, uma roupa nova, um corte de cabelo ou a mais esperada de todas: a bicicleta, que é o meio de transporte de todos nesta comunidade.

Jonas é um Onze, ou seja, ele tem onze anos e está prestes a se tornar um Doze. Aos doze anos, após rígida observação dos anciãos da comunidade, durante as horas de trabalho voluntário dessas crianças, elas recebem uma profissão que vão seguir para toda a vida.

Durante a cerimônia, Jonas está muito ansioso, pois não tem ideia de qual será a profissão que será atribuída a ele. E para a sua surpresa, durante a atribuição, a anciã pula Jonas e continua chamando as outras crianças. O maior medo dele é ser dispensado (release, como é colocado no livro, não sei exatamente qual palavra se usa no livro em Português), as pessoas pessoas mais velhas, quem quebra as regras severamente por três vezes é dispensado, bebês que não servem para a comunidade etc. E ninguém sabe o que é ser dispensado, para onde a pessoa vai, só se sabe que a pessoa nunca mais é vista.

Ao final da cerimônia, Jonas recebe a explicação por ter sido pulado durante a atribuição. A ele não foi atribuída nenhuma profissão, mas ele foi selecionado especialmente para uma função, por possuir olhos que enxergam além das coisas como elas são.

Jonas é selecionado para ser o guardião de memórias (The Receiver). Mas não são simples memórias, mas as memórias de todos os tempos, muito antes do mundo passar pelo que passou, até existir a comunidade dele. O tutor dele será o The Giver (O Doador), sem nome mesmo, Jonas apenas o chama de Giver. E a partir do Doador, Jonas vai receber as memórias, tanto boas, quanto ruins.
“The worst part of holding the memories is not the pain. It's the loneliness of it. Memories need to be shared”
E durante esse processo, sabendo de como tudo era antigamente, sensações, os sentimentos, principalmente o amor (que nesta comunidade é suprimido através de comprimidos tomados diariamente), o sol, neve etc, vão fazer com que Jonas questione o sistema sob qual eles vivem.
“If you were to be lost in the river, Jonas, your memories would not be lost with you. Memories are forever”
E apesar de ter apenas 12 anos, Jonas tem uma maturidade muito bela, é muito compreensivo, carinhoso. A relação dele com o The Giver é muito bonita. Os diálogos entre os dois soam como um avô e um neto, um ensinando ao outro as coisas da vida.

E mesmo sendo um livro destinado ao público jovem, o conteúdo reflexivo dele é bem profundo, mas nada que seja difícil de assimilar. A mensagem contida na história, apesar de simples (os mais insensíveis chamariam de clichê), é muito bonita e atual. Jonas é um verdadeiro herói mirim!
“I liked the feeling of love,' [Jonas] confessed. He glanced nervously at the speaker on the wall, reassuring himself that no one was listening. 'I wish we still had that,' he whispered. 'Of course,' he added quickly, 'I do understand that it wouldn't work very well. And that it's much better to be organized the way we are now. I can see that it was a dangerous way to live.'...'Still,' he said slowly, almost to himself, 'I did like the light they made. And the warmth”
E muito admiro a autora por ter criado uma sociedade tão complexa, uma história completa e rica em tão poucas páginas. Uma história que começa como uma utopia e, gradativamente, vai se tornando uma distopia. O livro não chega a 200 páginas. Em minha opinião, ela cumpriu o seu objetivo com qualidade.

Em alguns trechos da história, principalmente durante a cerimônia dos Doze, eu achei que ela enrolou um pouco e a leitura ficou um pouquinho arrastada, mas nada assim grave. Foram poucas páginas que, ao longo da história, foram muito importantes para o entendimento do enredo. E a agonia que eu passei no último terço do livro?! Uau, Lois, você me mata assim!

“For the first time, he heard something that he knew to be music. He heard people singing. Behind him, across vast distances of space and time, from the place he had left, he thought he heard music too. But perhaps, it was only an echo”

E agora, falando do livro quanto ao inglês dele. O nível é fácil, mas exige vocabulário bem treinado. Como os membros da comunidade se preocupam demais com a precisão da linguagem, eu me deparei com algumas palavras diferentes, que eu nunca imaginei que fosse ver. Resumindo, é um vocabulário mais formal, mas que é fácil de entender caso precise traduzir alguma frase inteira, pois não há gírias dos jovens. Podem ficar tranquilos que não vão ficar precisar acessar um Urban Dictionary para entender a criançada. Um bom dicionário de inglês é o suficiente. Melhor ainda se for um dicionário Inglês-Inglês.

Recomendo muitíssimo a leitura desse livro, ele possui tradução para o português, o título é O Doador, lançado pela Sextante. Não procurei muito pelo livro, mas me lembro de tê-lo visto por um preço razoável na loja virtual da Saraiva.

E se você sabe inglês, não perca a oportunidade desta leitura. Vai ter fazer muito bem para a mente, coração e aprendizado no idioma.

E esse livro vai virar filme, no site do Papel Pop tem mais informações \o/ Brenton Thwaites vai fazer o papel do Jonas e Jeff Bridges será o The Giver. Bem, não sei como os personagens serão caracterizados, mas imaginava o The Giver bem mais velhinho e o Jonas mais jovenzinho. E teremos também a nossa diva Meryl Streep como a Anciã Chefe.

Quem aí está ansioso para o filme também? o/

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Bel VF