Mostrando postagens com marcador Literatura Contemporânea. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Contemporânea. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de abril de 2015

{Fabí} 'Tá lido #75 - O complexo de Portnoy, Philip Roth

Fonte

Não estava conseguindo conectar muito os pontos desse livro, os aspectos e toda a importância desse livro na obra de Roth, até que eu assisti esse vídeo e consegui me organizar, tem vezes que olhando de fora conseguimos organizar o que vem de dentro.

Talvez não seja a melhor obra para ingressar no mundo de Roth, ou seja, quem sabe. Mas pelo que pude perceber é um livro extremo dele, bem escatológico, que no fim foi um ponto de mudança na obra dele e na sua visão de escritor. Pelo que pesquisei a obra dele é cheia de microciclos, pequenos conjuntos de microcosmos, com temas e personagens que se repetem.


sábado, 27 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 66 - A elegância do ouriço, Muriel Barbery

ISBN: 9788535911770
Ano: 2008
Páginas: 352
Editora: Companhia das Letras
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou — por que não? — duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A "Elegância do Ouriço", seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙⋘ ⋙
Eu já tinha tentado ler esse livro antes, acho que em 2013, mas não deu muito certo provavelmente não era o momento, tem aquela coisa de o livro te escolher.
Eu simplesmente amei esse livro, ele ecoou em mim, me tocou de uma forma tão intensa que ainda me pego pensando nele, mesmo depois de ter lido alguns outros.
Não é porque eu me pareça com algum personagem, mas é pela escrita, pelo clima, pela beleza e pela mensagem do livro mesmo.

O livro conta a história de Renée, uma zeladora solitária e que só mostra aos estranhos o que ela quer, ou melhor o que eles esperam ver. Digo isso porque ela é uma mulher culta, inteligente e sempre se faz de obtusa e de desentendida.

Ela é o tipo de pessoa curiosa, que vai adquirindo cultura, bom gosto por buscar isso, por indicação de outros livros e filmes, ela tem um bom  gosto natural.
Posso dizer que ela me indicou Anna Karenina (outro dos meus livros preferidos da vida) e Satie, é que o gato dela se chama Léon (homenagem ao Tolstói), ela sempre rele Anna Karenina e fala dele sempre e com tanto carinho, que fiquei tão curiosa que logo que terminei A elegância fui lê-lo.

 E Satie <3, bom decida-se por si só:



Como o livro todo é repleto de referencias à arte, música e literatura, sobre referencias ao belo e a busca do belo, esse clima me envolveu, percebi que os livros que trazem muita musicalidades, tendem a me marcar mais, acho que a música é tão universal que conseguimos compreender melhor o personagem quando ouvimos o que ele sente, não consigo colocar em palavras, mas acho que é por ai.
Essa busca se dá não só pela Renée, mas também pela adolescente chamada Paloma, que é super inteligente que se finge "normal", mas que não se sente parte do mundo, meio que aquilo de gênio incompreendido, que acha o mundo um lugar estranho e busca uma razão para viver.

O mais curioso é que elas se cruzam, mas não percebem o que tem por trás das máscaras sociais, já que as duas fingem ser uma coisa que não são, eu esperava que ao se olharem elas se descobrissem, sei lá percebessem que ambas  gostam muito de cultura japonesa, música boa, são observadoras, percebem a essência das outras pessoas, gostam de arte e  essa busca pelo belo.

Mesmo com toda essa consciência das máscaras sociais, talvez não tão sem querer assim, ambas vivem de alguma forma uma hipocrisia, pois fingem ser o que não são, mas isso é uma forma de proteção e até mesmo de preservação e não para se gabarem (o que normalmente as outras pessoas fazem), elas pelo contrário, elas se diminuem para atender a expectativa dos outros.

No decorrer da história as duas vão se descobrindo, mas para isso acontecer é preciso que uma terceira pessoa apareça e faça a diferença na vida das duas, uma daquelas pessoas que sem perceber muda a história das outras.
É delicioso presenciar esse encontro, essa aproximação que já parecia tão evidente e que ao mesmo tempo é conduzida com sutileza e muita delicadeza, mas daqui pra frente não posso falar mais nada, porque a descoberta é a parte mais gostosa.

Até a próxima! ;)

.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

{Bel} Book Challenge #8 ~ The Ocean at the End of the Lane (Neil Gaiman)

Título: The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
Editora: William Morrow Books
Número de páginas: 181
Nível do inglês: Intermediário

Skoob :: Goodreads

Avaliação: 5 estrelas!

Sinopse: A man returns to his childhood village seeking comfort in memories of his youth and the friend who long ago transformed his life. Once upon a time in a rural English town, an eleven-year-old girl named Lettie Hempstock shows a little boy the most marvelous, dangerous, and outrageous things beyond his darkest imagination. But an ancient power has been disturbed, and now invasive creatures from beyond the known world are set loose. There is primal horror here, and menace unleashed—within the boy's family and from the forces that have gathered to consume it. Determined to get what they want, these otherworldly beings will destroy a meddling little boy if he dares to get in the way. It will take calm, courage, and the cleverness of the extraordinary Hempstock women—Lettie, her mother, and her grandmother, to keep him alive. But his survival will come at an unexpected cost... Storytelling genius Neil Gaiman delivers a whimsical, imaginative, bittersweet, and at times, deeply scary modern fantasy about fear, love, magic, sacrifice, and the power of stories to reveal and to protect us from the darkness inside—a moving, terrifying, and elegiac fable for every age.

Um livro cheio de memórias de infância, com muita magia e fantasia, com aquele toque sombrio... assim é esse livro sensacional de Neil Gaiman.

Gostei de tudo mesmo deste livro. Da escrita, da construção da história, da capa (ainda bem que a capa foi mantida!) que tem tudo a ver com a história. E, acima de tudo, gostei da delicadeza com que as memórias do garoto foram tratadas, tudo escrito e conduzido com muito cuidado. É leitura de qualidade garantida!

Mas ainda me questiono, será que são mesmo memórias ou apenas frutos da imaginação de uma criança? Essa dúvida que o livro me deixou é o que fez ser tão sensacional, deixar esta questão meio que aberta, apesar de ser uma história bem amarrada, para interpretarmos como quisermos. E muitas vezes, me senti como se Gaiman estivesse falando de si mesmo naquelas linhas.

Me encantei pela Lettie, que tem 11 anos há muito já. Ela é muito amiga, corajosa, daquele tipo de pessoa que vai fazer qualquer coisa por você. Sério, ela e a sua família, as Hempstock, são todas incríveis!

Este não foi o meu primeiro contato com Gaiman, mas foi o primeiro contato com seus romances. A primeira obra que li dele foi o livro de contos “Coisas Frágeis” e, recentemente, "Coisas Frágeis II", e depois me aventurei na HQ “Mr. Punch”. Mas todos seguem a mesma linha da fantasia com aquela obscuridade abraçando a história.

Como a Fabi já fez uma resenha deste livro (clique AQUI), não vou me deter muito na história, mas apenas na minha experiência lendo esse livro em inglês.

Esse foi o primeiro livro do meu English Month (olha a lista de livros escolhidos AQUI) e já penei um pouco logo neste primeiro livro. Não que tenha sido um livro difícil, vamos dizer nível médio.

A questão é que, como li uma edição britânica, tive um pouco de dificuldade quanto ao vocabulário, pois sempre encontrava outras palavras no lugar daquelas que eu já conhecia. Aí, eu precisava correr para o dicionário muito mais do que o normal e, quando encontrava a palavra, eu pensava “Nossa, é isso? Mas eu conhecia outra palavra para isso!”.

Foi uma grande aventura em todos os sentidos ler esse livro. Usei o dicionário muito mais do que normalmente uso. Me custou um bom tempo memorizando essas palavras novas e, no fim, só ganhei com isso tudo. Gramaticalmente não tive problemas, apenas o vocabulário que me pegou de surpresa.

Outro fator que me fez ter um pouco de dificuldade na compreensão foi durante as falas das Hempstock, principalmente a mãe e a avó. Elas usavam muito expressões de quem vive no campo e Gaiman representou muuito bem na escrita. Em algumas falas, eu precisava ler mais de uma vez para compreender o que estava sendo dito.

E mesmo sendo um livro curto, que não chegava às 200 páginas, eu levei uns bons dias para ler, a leitura foi bem lenta, não pela história, mas pelo inglês mesmo. Mas devorei e absorvi tudo o que eu podia.

Creio que este livro vá ser o mais difícil dos 4 escolhidos, os demais, já dei uma olhadinha, são bem mais simples na questão de vocabulário. Em breve, teremos a resenha do segundo livro, "Harry Potter and the Sorcerer´s Stone", que já adianto que está bem fácil.

Não se esqueça de seguir o blog!
:: FanPage :: Twitter ::
:: Skoob :: Goodreads :: Instagram :: Flickr :: LastFm ::
Um abraço
Bel VF 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Tá lido #20 - Deuses Americanos, Neil Gaiman

Deuses Americanos

Autor: Neil Gaiman
Páginas: 448 
Editora: Conrad
Avaliação pessoal: ****
SinopseO criador de Sandman reúne os deuses de todas as mitologias para atacar a América. Deuses Americanos, o melhor e mais ambicioso romance de Neil Gaiman, é uma viagem assustadora, estranha e louca que envolve um profundo exame do espírito americano. Gaiman ataca desde a violenta investida da era da informação até o significado da morte, sem sacrificar seu peculiar senso de humor e a rica estilo narrativo que ele vem exibindo desde Sandman.

Após a morte de sua esposa em um acidente de carro, Shadow é liberado da prisão antes de cumprir totalmente sua pena. Perdido, acaba por conhecer um homem misterioso, chamado Wednesday, que será muito mais importante na vida de Shadow do que ele imagina. Na verdade, Wednesday é um antigo deus, certa vez conhecido por Odin, o Pai de Todos. Ele está percorrendo os Estados Unidos a fim de reunir seus companheiros esquecidos para uma batalha épica contra as divindades do mundo moderno: internet, televisão, cartões de crédito, telefone, rádio... Shadow aceita ajudar Wednesday, e eles se lançam a uma tempestade psicoespiritual que se torna demasiadamente real em suas manifestações. A esposa morta de Shadow, por exemplo, continua a aparecer, e não apenas como um espectro - a dificuldade de ambos em manter seu relacionamento se torna sombriamente engraçada, assim como o resto do livro.

Armado somente de seus truques com moedas e alguma determinação, Shadow inicia uma viagem fantástica pela superfície visível das coisas - ao seu redor, sob ela -, literalmente descobrindo todos os poderosos mitos que os imigrantes europeus trouxeram com eles quando chegaram àquelas terras, assim como os que já viviam lá. Eles aparecem alí onde menos se esperava, zanzando na beira de estradas, comendo hamburgueres, são agora trapaceiros, prostitutas, sombras. "Esta não é uma boa terra para deuses", diz Shadow.

Mais do que um turista na América, Neil Gaiman oferece uma perspectiva de fora para dentro - e, ao mesmo tempo, de dentro para fora - da alma e espiritualidade do país e do povo americano: suas obsessões por dinheiro e poder, sua miscigenada herança religiosa e as conseqüências sociais, e as decisões milenares que eles enfrentam sobre o que é real e o que não é.




~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~~~°°~~

Você é um jovem ou adulto que gostou de Percy Jackson quando leu?
Não leu ainda por falta de tempo ou a premissa não te interessa? Se a sua resposta for não me interessa, então Deuses Americanos pode mudar esse conceito ou não te interessar também.
(Pelo amor de Deus eu não estou dizendo que eles são iguais, ou que um é imitação do outro, eu estou querendo dizer que se você leu Percy Jackson e quer uma coisa mais adulta e que te traga mais questões adultas e quer começar a ler Gaiman esse livro pode ser uma boa solução, além disso como leitora eu senti algumas semelhanças e resolvi colocar em pauta aqui! Mas não quer dizer que um é melho que o outro, cada um com seu gosto e com sua interpretação, só lembrando que essa é a minha, ok?)
Dado o recado vamos volar ao livro! :)

Isso porque a mitologia também é trazida para os dias atuais, existem humanos que se envolvem com  os Deuses sem saber quem eles são, a história também se passa nos Estados Unidos, o personagem principal não tem pai, só mãe e a vida dele é cheia de coisas esquisitas, as Parcas aparecem e pessoas aparentemente comuns podem ser Deuses e acho que as igualdades param por aqui.

No caso de Shadow ele encontra com dois tipos de Deuses, Nórdicos ou os chamados "Novos Deuses", como por exemplo, a Internet, a Televisão... coisa supervalorizadas pela nossa sociedade atualmente, o que  imprime uma crítica social e um tom bem mais maduro, esse livro é repleto de coisas de adulto, insinuações sexuais, prisão, morte e como sempre quando se trata de Neil Gaiman um lado mais misterioso. 

A história em si começa contando a vida do Shadow, um cara calado, grande e que não chama atenção, o Gaiman liga tão bem os pontos que até o nome do personagem cabe como fato importante da história (Shadow significa sombra em inglês), ao longo da história você vai conhecendo um pouco do cara e percebe que ele tem um bom coração, apesar de aparentar ser durão, ele ero a apaixonado pela esposa e gostava muito de ler na infância (meio recorrente nos romances do Gaiman?) e sofria bullyng no colégio, o que fez ele se tornar forte e calado e se afastar dos livros, como proteção aos insultos dos outros, além disso ele mudava muito de cidade por causa do trabalho da mãe o que dificultava manter amizades, resumindo ele sempre foi distante e sozinho.

No livro todo ele faz poucas amizades, ele não se envolve muito com as pessoas e o relacionamento mais profundo dele é com uma "morta-viva", mas ele cativa as pessoas de uma forma estranha e parece que quase todo mundo se sente  vontade com ele e acaba gostando dele.

Dias antes de Shadow sair da cadeia depois de cumprir sua pena, só com o decorrer da história a gente descobre por qual crime ele foi condenado, a mulher dele morre e ele é liberado um pouco antes do que ele imaginava para ir ao enterro dela, mas quando ele entra no avião um cara chamado Wednesday começa a puxar assunto de forma bem esquisita e diz que vai arrumar emprego pra ele, mas ele ignora o cara e fica perdido nas suas lembranças.

Depois disso a história da muitas reviravoltas, quando você pensa que entendeu aparece uma bomba e você fica de queixo caído, um pouco antes do fim você consegue ligar os fatos, mas mesmo assim a forma como o final é conduzido é maravilhosa e ele se encerra muito bem e com gostinho de quero mais.

Os únicos pontos ruins na minha opinião é que no fim do primeiro terço e começo do meio do livro as coisas parecem meio enroladas e tem uma quebra do ritmo, mas logo se ajeita e volta a ter a mesma fluidez e em algumas partes fiquei com a sensação que ele estava enrolando de mais, fazendo suspense demais e aponto de perder o momento certo de desenvolver o enredo, mas faz parte um pouco do estilo Gaiman de ser, soltar um monte de grãozinhos pelo caminho e te fazer olhar para os mínimos detalhes pra perceber que o primeiro grão era tão importante quanto o último.

Se você gosta de mitologia, de Gaiman, fantasia, de aventura e coisas que fogem da realidade esse livro é maravilhoso e acho que até se você não gosta disso vale a pena ler e quem sabe ele não o faça mudar de ideia. =D

sábado, 27 de julho de 2013

Tá lido #10 - O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

Preciso confessar o meu amor pelo Neil Gaiman, cada leitura nova uma surpresa e uma admiração ainda maior, ele é com certeza um dos meus escritores favoritos e o estilo dele cada vez me conquista mais como leitora. Ele é um daqueles que me fazem querer ler toda sua obra, aos poucos eu chego lá.

Esse livro não fugiu da regra e me fez morrer de amores, mas amores mesmo, virou um dos meus livros favoritos, li em uma tarde, mas terminei querendo mais páginas, sabe como é?

Pra vocês verem como é verdade, olha o que eu escrevi no meu Skoob imediatamente após o término da leitura:
"Esse é daqueles que você senta e só para de ler depois que termina, frustrado com a rapidez com que terminou e com a pouca quantidade de páginas, buscando no fim do livro mais histórias lindas como essa. 
Onde não existem nomes, onde o mundo é mágico e a terra das lembranças faz tudo mais belo, as comidas mais saborosas e a infância um mundo incrível, amedrontador e cheio de seres e momentos mágicos. 

Viver com um apaixonado por livros, por fantasia e que também tem medo do escuro, da escuridão da alma dos adultos por 200 páginas é muito pouco, quero mais e sempre vou querer mais boas histórias como essa."
Deu pra perceber como eu adorei né? 

Esse livro é, como muitas vezes na obra de Gaiman, uma história em torno das lembranças da infância, os medos e a capacidade das crianças de ver e sentir as coisas de uma forma única. Toda a magia e o imaginário da infância são retratadas de forma linda, isso é o que mais me fascina no Gaiman, a forma de ver a fantasia e as coisas fantásticas, eu consigo imaginas cada pedacinho do livro, consigo me ambientar perfeitamente nos livros dele.

Esse livro conta ato história de um homem de meia idade, que vai em um funeral na cidade onde ele passou a infância dele e decide ir à casa que ele viveu a primeira infância e a fazenda do fim da rua, que tem as 3 mulheres mais legais da face da terra, a menina (ela tem o primeiro nome, Lettie), a mulher e a velha, todas elas com o sobrenome Hempstock (inclusive a própria fazenda) e mais nada, nesse livro ninguém ganha nome, todos são só pessoas.

Esse homem  que já foi um garoto sem amigos, que ama ler, que tem uma irmã chata e uma imaginação muito fértil, ele é curioso e esperto e adora o Batman,(acredita que ninguém foi no aniversário de 7 anos dele? Que chato né? e eu aqui pensando que ele deveria ser uma criança maravilhosa, eu queria ser amiga dele...), na verdade um dia o inquilino do quarto que era dele na casa se mata dentro do carro da família no fim da rua e ele conhece a Lettie sua primeira e única amiga até então... ai que a história começa e ele descobre um mundo mágico dentro da fazenda e a segurança de ter uma amiga, esse livro por mais bonito que seja é assustador em algumas partes (oi, esse livro é do Neil Gaiman, tem que ter isso, né?), mas é uma leitura fluída, simples e de qualidade, fora que a capa do livro é linda.




Aqui um zoom, essa capa se torna ainda mais bonita depois de ler!
Tem tudo a ver com a história!


Então é isso, corre pra ler esse livro que você vai adorar!

sábado, 20 de julho de 2013

Tá lido #8 - O circo da noite, Erin Morgenstern

Esse livro foi uma grata surpresa pra mim, comecei a ler bem desencanada e sem nenhuma expectativa de que fosse ser muito bom nem nada do tipo, mas me surpreendi, eu ADOREI esse livro e a edição é linda, cheia de detalhes, parece cuidada em cada aspecto, tirei um monte de fotos pra vocês, mira:

O título é holográfico e esta mão que segura o circo é fosca, enquanto
todo 
o resto da capa é meio envernizado.

O livro é dividido em três partes e no inicio de cada parte tem essa arte.
Essas estrelinhas fofas também aparecem na capa, nas orelhas e
no inicio de cada capítulo.

Está é a parte de trás da capa e a folha de guarda.

Mais páginas bonitas antes do livro começar.

Firula nos números de página.

Aqui é a arte que aparece na citação do início da parte 3.

Depois de ver esses detalhes todos comecei a ler o livro meio encantada já, é difícil aqui no Brasil uma edição sair assim tão caprichada e rica em detalhes. Outro ponto positivo é a capa, tanto a escolha das cores (preto, branco e vermelho na medida certa para dar um charme e elegância sem ser cansativo), quanto o desenho que revela muito pouco embora tenha muito a ver com a história mantém um certo mistério, gostei muito da arte gráfica e da citação de Oscar Wilde logo no começo, isso me deixou ainda mais na expectativa, Oscar Wilde não é pra qualquer um, não é mesmo?

Essa é a citação que eu mais gosto do livro, tem tudo a ver com a história.

O livro é bem romanceado, eu adoro isso, mas quem estiver esperando um livro de aventuras não é o que vai encontrar aqui. Esse livro conta a história de Celia, desde o momento da morte de sua mãe, seu pai um mágico de prestígio, mas um homem de caráter duvidoso e um péssimo pai decide que ela vai participar de um duelo de mágica, ela não sabe contra quem , nem quando, nem as regras, ela só sabe que será contra o discípulo do homem de terno cinza.

Ela cresce na sombra opressora de seu pai, atrás das coxias, obedecendo seu pai e sonhando com o dia que toda essa história de duelo mágico acabar. Depois de anos na espera ela descobre que esse duelo vai acontecer num circo e faz um teste para ser a mágica de lá e assim que ela consegue o "emprego" o duelo começa... mas o desenrolar da história e como ela descobre seu oponente, a relação que isso tem com o circo e as regras da competição é que são deliciosos.

A história é bem construída, os personagens são bem descritos e ficam bem definidos, tanto a personalidade como a aparência, eu consegui imaginar com detalhes todos os cenários, personagens, sons e até os cheiros do "Le Cirque de Revês" (O circo dos sonhos), consegui me transportar para a platéia e quase coloquei um cachecol vermelho ou uma rosa no cabelo (era assim que os rêveures, fãs seguidores do circo se identificavam) pra ficar no sofá lendo o livro.
Achei um mundo mágico, uma história criativa e o romance do livro é tratado de uma forma sensível, pura e muito bonita.

A história é contada segundo vários pontos de vista, de quem está dentro e fora do circo, as datas dos relatos e os lugares mudam e não seguem uma ordem cronológica ou lógica, é um vai e vem do futuro para o passado que  em alguns momentos confunde, vale a pena prestar atenção no começo de cada capítulo, onde tem a data e o lugar que foi escrito.

Achei uma delícia ler esse livro, fiquei uma tarde inteira com ele, não parei de ler enquanto não terminou, mas quando acabou queria mais e acabou se tornando um dos meus livros favorito, não porque mudou minha vida, mas sim porque essa história é linda e deliciosa, criativa e o mundo do "Le Cirque de Revês" é mágico, poético e impossível de esquecer.




segunda-feira, 15 de julho de 2013

Lido e Assistido #1 - O ensaio sobre a cegueira, José Saramago e Blindness (2008), Fernando Meirelles

Sobre o livro:



Fica difícil escrever ou falar de um livro que nos cala, nos emudece diante da verdade. Aquela verdade feia que buscamos cobrir com a maquiagem, com roupas bonitas, com sorrisos e meias verdades, resumindo com as máscaras sociais e as convenções estabelecidas pelos costumes morais que nos cercam.
Escondemo-nos atrás de tudo isso, encobrimos a natureza mesquinha e egoísta. Afinal quem nunca fingiu que gostava da roupa da melhor amiga pra agradá-la? Ou doou alguma coisa que não usava mais, que estava largada no fundo do guarda roupa para aplacar o peso de ter comprado mais do que pode usar?
Esse livro coloca o dedo na ferida e mostra como a necessidade e a convivência, misturadas com o medo, a insegurança, as necessidades primárias e a privação de algumas necessidades básicas de higiene, saúde, alimentação, saneamento e o mínimo para separar humanos de animais.

Saramago é ácido, sarcástico, frio em suas analises, mas sempre crente na mudança e no potencial da humanidade, sempre deixando a luz do corredor acessa e a porta com uma abertura, mostrando o pior e o melhor, os extremos entre o pior e o melhor de cada um.

A história toda se passa diante de uma epidemia que causa uma cegueira nas pessoas, mas não uma cegueira negra, uma cegueira branca, como se estivesse olhando para uma folha em branco, uma claridade que nunca se apaga.
O primeiro cego esta dirigindo, esperando o semáforo mudar de vermelho pra verde e cega repentinamente, sozinho em meio a desconhecidos, imaginem a insegurança, o medo e a sensação de impotência desse homem, conseguiu imaginar?
Eu sim, pois isso é muito bem descrito e é agonizante e tenso e desesperador.
Em meio a toda essa confusão uma boa alma se oferece para ajudá-lo, levá-lo até em casa em segurança e ele aceita e se sente confortado, ou não? Será que existem segundas intenções nesse homem? Como o primeiro cego vai viver sem enxergar, ele terá que confiar nos outros? Como ele vai se adaptar a nova vida?

E eu paro por aqui, essa história merce ser lida com todo o suspense possível, pois ele necessita ser desvendada pouco a pouco e o mais importante desse livro é justamente as sensações que o livro nos causam, elas são tão reais e tão verdadeiras que causam até sensações físicas, como asco, arrepios e medo, um medo essencial, que vem do âmago da alma e dos maiores medos da humanidade, pelo menos da minha.


Sobre o filme:


O trailer:




Agora sobre o filme, estava ansiosa e com medo de me decepcionar, mas tive uma grata surpresa o filme é tão bom e angustiante quanto o livro, com algumas adaptações necessárias pra manter o ritmo do filme, pequenas mudanças que eu considerei boas e necessárias que não descaracterizara mo livro, ficou bem fiel.
Com exceção a cena do cachorro que seca lágrimas que é a mais linda do livro e no filme ficou meio fraca não tenho o que reclamar. Como já tinha lido o livro, o filme foi menos intenso, mas porque já não tinha o suspense do final e do desenrolar da trama.

Outra coisa que eu gostei muito foi o elenco e o cenário, algumas cenas são aqui em São Paulo e isso fez com que eu me sentisse mais próxima dos personagens e da história.

Esse foi com certeza um dos melhores livros da vida, (espero que tenha conseguido expressar o quão bom esse livro é e o quanto vale a pena ser lido) e como sempre prefiro o livro ao filme, mas é questão de gosto e do gosto de uma apaixonada por livros.