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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

'Tá Lido # 80 -Sartoris, William Faukner

Fonte


Acredito que daqui para frente vocês verão muitos livros do Faulkner por aqui, simplesmente li três livros dele esse ano e descobri uma nova paixão, tinha um pouco de receio de dar conta da leitura, mas no fim descobri que ele não é bicho papão e que para lê-lo, basta querer.

Esse livro conta a história da família Sartoris, inclusive alguns personagens aparecem em Santuário, essa família é cheia de personagens orgulhosos, tem uma árvore genealógica que remota a fundação da cidade, juntamente com a ferrovia, criada por John Sartoris (a ferrovia passa no município de Yoknapatawpha que é uma cidade muito presente na obra de Faulkner), eles possuem narizes marcantes e  uma certa tragédia familiar.

Esse livro retrata a memória familiar e como nos romances de Faulkner repete nomes e sobrenomes, o que pode causar uma confusão inicial, além disso, as histórias do passado são base e se interligam com as do presente, o livro todo é repleto de pontos de vista de personagens diferentes, o que nos permite uma visão mais ampla da história em si.

O drama dessa família começa com Bayard Velho (avô dos gêmeos Bayard e John Sartoris, que não é o da ferrovia), um homem bem posicionado e temido na sociedade local, que decidiu acolher a viúva Tia Jenny (minha personagem preferida do livro), depois que seu marido Bayard da Carolina morreu. A Tia Jenny é quem conta parte da história da família, além de cuidar dos geniosos Sartoris, ela caracteriza a personalidade deles e explica suas ações por meio da história da família.

Além da família principal os empregados tem uma voz bem participativa no livro, suas histórias se misturam, ora eles são quase vistos como parte da família e ora são tratados quase como animais. A questão racial se torna meio evidente também, em alguns momentos os negros são preconceituosos, em outros os brancos.
E sob o aspecto do racismo a Guerra de Sessesão e depois o da Primeira Guerra Mundial também.

 Outra coisa genial é a forma como a modernidade entra em cena, como os costumes vão aos poucos modificando o ambiente da história, mas mesmo assim os vehos erros se repetem, como se além de herdar o nariz, os mais jovens herdassem também os defeitos e falhas de caráter dos ancestrais.

É uma história de decadência familiar, mas pode ser vista  como decadência da humanidade, muitas coisas podem ser lidas nas entrelinhas, é um livro que merece releitura, porque nãos esgota em um leitura só (sinto isso com todas as minhas leituras de Falkner até agora).
De todos os livros que li até agora do Faulkner esse me pareceu o mais complexo, o que eu fui menos capaz de sugar informações.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

{Fabí} 'Tá lido # 78 -As aventuras do Sr. Pickwick, Charles Dickens


Charles Dickens é um dos meus escritores preferidos, gosto da forma leve, cheia de coincidências,do humor singelo e do olhar aguçado para a humanidade, esse foi o primeiro romance publicado do autor e isso só mostra que desde o primeiro romance Dickens já sabia o que fazia.

No começo do livro somos apresentados a uma de cavalheiros, chamado Clube Pickwick, que é voltada para a busca do conhecimento e foi fundada pelo Sr. Samuel Pickwick, um conceituado observador/estudioso da natureza e das pessoas.

No primeiro capítulo ainda somos apresentados ao nosso querido aventureiro Sr. Pickwick, que propõe ao Clube uma expedição para investigar e explorar, o clube aprova, mas pede que ele leve alguns companheiros que se voluntariaram consigo. São eles: Sr. Tracy Trupman, que segundo o próprio narrador  "à sabedoria e experiência de mais maduros anos acrescentava o entusiasmo e o ardor de um menino, na mais interessante e perdoável das fraquezas humanas - o amor";o poético Snodgrass e  Winkle, o caçador.

Estabelecidos os companheiros de viagem e todos os pormenores o grupo de amigos segue viagem e logo nos primeiros momentos começam as trapalhadas e confusões, esse hrupo conhece bem a Li de Murphy, porque tudo acontece com eles e diferentemente dos outros romances de Dickens esse é mais engraçado que triste, ele é cheio de coisas muito engraçadas que me fizeram rir em muitos momentos.

A grande sacada desse livro é que no decorrer do livro somos conduzidos pelo narrador a descobertas que provam que as aparências enganam e que com o tempo vamos realmente conhecendo as pessoas, a convivência prova quem é quem e as máscaras sociais vão ficando para trás.

Uma das coisas mais fascinantes desse livro pra mim foi a forma como Dickens explorou a fraqueza e a virtude de cada personagem, como eles foram evoluindo e aprendendo uns com os outros, além do forte laço de amizade e de valores morais elevados, os personagens tinham sentimentos profundos e verdadeiros  e nos cativam do começo ao fim.

O meu personagem preferido é o criado do Sr. Pickwick (além do próprio senhor Pickwick) o Sr. Samuel Weller, que talvez não por tanta coincidência tem o mesmo nome do Sr. Pickwick, mas é como um duplo dele, possuindo as qualidades e defeitos opostos ao nosso protagonista, o que torna a relação deles rica e super gostosa de acompanhar,  já que um cuida e modifica o outro pramelhor, como  só os verdadeiros amigos podem fazer.

Dickens é um mestre (em tudo) principalmente na construção de personagens, além de causar empatia e simpatia instantaneamente, são cheios de luz e sombras, defeitos e virtudes, o que os torna mais reais e nos envolve mais na história, a gente vivencia os dramas dos personagens como se fosse nossos ou dos nossos amigos.

Nesse romance existem temas bastante recorrentes na obra de Dickens, como prisão por dívidas, alcoolismo, a degradação causada pela pobreza, o valor de uma amizade, amadurecimento dos personagens e outras coisas, mas esse livro (dos que li) é o que tem tom menos sombrio, é mais cômico e mostra as coisas sobre um prisma menos triste, mas mesmo assim nos toca. 
Assim como nas outras obras de Dickens existe uma valorização da moralidade e os "vilões" são personagens dúbios (e caricatos) que nos causam certa empatia, eles não são de todo maldosos, mas muitas vezes chegam a causar repulsa.

Esse livro é cheio de crítica social, de defesa dos pobres e oprimidos, crítica também a situação miseráveis  e vale ressaltar também a posição submissa da mulher.

O Sr. Pickwick é como uma estrela em uma noite sombria, tem luz própria e ilumina quem esta ao seu redor, dono de um coração maior que o mundo ganhou o meu coração, aliás os protagonistas de Dickens conquistam nosso coração, né?

Enquanto lia esse livro me lembrei um pouco de Dom Quixote e das Mil e uma Noites, porque a hostória é uma série de aventuras, uma história dentro da outra, também achei que o Dickens estava ironizando os clubes de intelectuais e os próprios, me parece que ele está o tempo todo tirando sarro deles.


Por hoje é só!
;)

terça-feira, 2 de junho de 2015

{Fabí} 'Tá lido # 76 -Santuário, William Faulkner



Esse livro me foi uma grata surpresa, fui cheia de medo encarar o bicho papão chado William Faulkner e me apaixonei pela fera, me surpreendi e fui conquistada, em dois meses li três livros dele e comprei mais um monte, quero ler tudo que ele escreveu e se você ai tem vontade lê-lo, o leia, vale a pena.

Eu particularmente não tenho medo mais de ler nenhum livro, para alguns como Graça Infinita não me sinto preparada, já com outros como O jogo da amarelinha, sinto que serão lidos em breve. Acredito no momento de ler o livro e se não estiver rolando aquela química, muito bem, eu espero.

Esse livro foi um dos raros casos que terminei com vontade de reler, pelo que percebi a leitura dele (e dos outros que li do Faulkner) não se esgota com uma leitura, mas se enriquece com várias releituras.
Esse livro tem um clima noir, quase um clima de detetive (como a Claire Scorzi cita no seu vídeo), acho que esse livro é o mais acessível do Faulkner, tanto por ser curto, como por ser menos hermético e ter apenas um foco narrativo, foco que segue linear na história.

terça-feira, 14 de abril de 2015

{Fabí} 'Tá lido #75 - O complexo de Portnoy, Philip Roth

Fonte

Não estava conseguindo conectar muito os pontos desse livro, os aspectos e toda a importância desse livro na obra de Roth, até que eu assisti esse vídeo e consegui me organizar, tem vezes que olhando de fora conseguimos organizar o que vem de dentro.

Talvez não seja a melhor obra para ingressar no mundo de Roth, ou seja, quem sabe. Mas pelo que pude perceber é um livro extremo dele, bem escatológico, que no fim foi um ponto de mudança na obra dele e na sua visão de escritor. Pelo que pesquisei a obra dele é cheia de microciclos, pequenos conjuntos de microcosmos, com temas e personagens que se repetem.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

{Fabí} 'Tá lido #71 - J.R.R. Tolkien - O Senhor da Fantasia, Michael White

Tolkien sendo hobbit na foto.
(Fonte)


Eu não sou muito de ler biografias tenho receio de deixar minha visão da obra ser influenciada pela vida do biografado. Tenho uma certa resistência em ler esse gênero.



domingo, 15 de março de 2015

{Fabi] 'Tá lido # 70 - Farenheit 451, Ray Bradbury



Este livro é considerado como uma das grandes distopias clássicas. As distopias são baseadas em “realidades alternativas”, pós-colapso social, econômico ou fruto de guerras e destruição em massa.

Nesse livro especificamente é um mundo pós-guerra, onde as casas são a prova de fogo, os livros foram banidos, ou melhor, queimados pelos bombeiros (outra coisa que caracteriza muito as distopias é a restrição à informação e a cultura) e a televisão (acesso controlado as informações) e uso de pílulas (drogas) como fatores de alienação e de satisfação pessoal.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

{Fabi} Tá lido # 69 - A menina que tinha medo, Breno Melo

Páginas :280
Editora: Chiado

Sinopse: A Garota que Tinha Medo - Marina é uma jovem que faz tratamento para a síndrome do pânico. Às voltas com o ingresso na universidade, um novo romance e novas experiências, Marina tem seu primeiro ataque de pânico. Sua vida vira de cabeça para baixo no momento mais inapropriado possível e então psiquiatras e psicólogos entram em cena. Acompanhamos suas idas ao psiquiatra e ao psicólogo, o tratamento farmacológico e a psicoterapia. Ao mesmo tempo, conhecemos detalhes de sua vida amorosa e sexual, universitária e profissional, social e familiar na medida em que elas são marcadas pela síndrome. Um tema atual. Uma excelente obra tanto para conhecimento do quadro clínico como entretenimento, narrada com maestria e de uma sensibilidade notável.




O livro vai contar a história de Marina uma jovem paraguaia , no começo da história ela é uma pré- vestibulanda, que quer cursar jornalismo, ela é muito dedicada aos estudos e tem uma mãe um tanto quanto dominadora e um namorado um tanto estranho.

A fase pré ingresso na faculdade costuma ser uma fase bem conturbada, afinal marca o começo da vida adulta e escolher uma profissão é quase como escolher os rumos que sua vida vai tomar nos próximos anos. A cobrança externa é grande, mas algumas pessoas se cobram demais e essa cobrança acaba se tornando uma coisa tóxica, que vai envenenando a vida pouco a pouco e que quando a pessoa percebe ela já está envolta nessa nuvem sufocante.

No caso de Marina foram a ansiedade, a insegurança, a mudança, a pressão da mãe e principalmente suas próprias cobranças que desenvolveram uma síndrome do pânico nela e que trouxe uma série de consequências para vida dela.

“Sempre fui perfeccionista,; nunca me contentei com outra coisa senão a perfeição. E eu não me queixava de nada e me esforçava para dar o melhor de mim em tudo, inclusive nas coisas mais tolas do dia a dia. E esse esforço, hoje eu sei, me desgastava. Fui dando o que eu não tinha, porque eu me preocupava demais, até que um dia arrebentei por dentro e precisei de conserto.
Mais que criativa, me considero uma garota sensível. Sou fotógrafa amadora e algumas imagens banais simplesmente me encantam. Suspeito que fotografo muitas vezes, o que ninguém vê. Mas, se é assim, quem me deu esses olhos? Às vezes preferia não tê-los. Um pouco de insensibilidade me faria sofrer menos.”
Página 9

Imaginem o drama da mudança da adolescência para a vida adulta + uma mãe exigente + uma alto crítica enorme + crise de pânico, que apresenta quase o vocs mesmos sintomas de um infarto e mexe com seu corpo de uma forma que você perde o controle e fica paralisado? Acrescente o fato de que ela pode acontecer na frente do novo namorado ou de toda sua turma na faculdade e pronto, agora você tem uma ideia básica do que a Marina passou.

Achei que a construção do quadro  psicológico, os aspectos farmacológicos e os sintomas e explicações que o autor usam são muito pertinentes, ele fez uma boa pesquisa e consiguiu passar para o papel a tortura que deve ser sentir essas coisas, achei realmente prazerosa a parte do tratamento dela.

Como (futura) profissional da saúde, entendo os aspectos fisiológicos que ela apresentou e a discriminação causada pela falta de conhecimento das pessoas, taxar quem sofre de algum transtorno psicológico como louco é ignorância e segregar essa pessoa é maldade. Em casos como esse além de apoio profissional, é muito importante o apoio da família e dos amigos, porque a segurança é fundamental para o tratamento.

Acho que a história se desenvolve bem, embora em alguns momento eu não sentisse que era uma menina/mulher que estava contando sua história e em alguns momentos eu sentia que a narradora estava um pouco fria para a situação, adorei o desenvolvimento e amadurecimento da personagem da história, que foi baseado num esforço dela mesma em aceitar suas limitações e aprender a conviver com elas.

Outra coisa bem interessante no livro é a relação com a religião e com Deus, a forma leve (ás vezes  até engraçado) que o autor usou para abordar não tornou o assunto chato ou cansativo, as questões que ela levanta são pertinentes ao momento que ela está passando.

Além desses temas o autor aborda o uso de drogas (que eu achei que ficou um pouco perdido na história), as relações interpessoais e a perda.
No fim achei a Marina muito real, ela poderia ser uma amiga minha ou eu mesma e isso faz com que a leitura seja prazerosa e empática.

Por hoje é só!
;)


** O livro a menina que tinha o medo me foi enviado pelo autor para compartilhar minhas experiências de leitura aqui . Caso queira mandar seu livro para resenha é só entrar em contato pelo e-mail

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

{Fabi} 'Tá lido # 68~ Ana Karênina, Liév Tolstói

Páginas: 749 
Editora: Abril

Sinopse: Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Esta é uma das aberturas mais famosas de todos os tempos, e ainda hoje impressiona a sabedoria concisa com que Tolstói -introduz o leitor no universo de Anna Kariênina, clássico escrito entre 1873 e 1877. Muito do que o romance vai mostrar está contido nesta frase. A personagem-título, ao abandonar sua sólida posição social por um novo amor, e seguir esta opção até as últimas consequências, potencializa os dilemas amorosos, vividos dentro ou fora do casamento, de toda a ampla galeria de personagens que a circunda.







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Logo que terminei A elegância do ouriço comecei Ana Karênina, porque a Reneé (personagem central do romance) sempre cita Anna Karênina, além disso esse livro tem muito valor na história e é encantador ver o carinho da Reneé pelos personagens (principalmente pela Kity e pelo Kóstia). Acho que sempre vou associar um ao outro, porque a minha experiência de leitura de um está fortemente ligada ao outro e os dois são livros que me marcaram muito como leitora.

Logo no começo do livro, depois do primeiro parágrafo mais famoso do mundo (Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira), você já percebe que a história vai ser meio que um novelão mexicano.

Esse começo já mostra que a história vai se passar em torno dos dramas familiares, logo no inicio do romance a família Oblonski esta passando por problemas, o marido cometeu adultério e a mulher descobriu, mas sofre para tomar uma decisão já que ela não tem renda e tem muitos filhos.

Para ajudar nas questões matrimoniais Ana Karênina, a irmã do Sr. Stepan (Stiva) Arkadyevich Oblonski, vai de São Petesburgo para Moscou tentar convencer sua cunhada a perdoar o marido e manter a família unida. Durante a viagem de trem ela vem na mesma que a Condessa Vronski e acaba conhecendo seu filho (rola maior clima, ele fica enfeitiçado por ela), mas eles mal se falam e ela acredita que não vai mais vê-lo .

Uma das maiores ironias nesse livro é que ela é considerada a pessoa ideal, possui um “casamento perfeito”, tem um marido respeitável e admirável por seu cargo como funcionário do governo. Mas ao longo da história percebemos que nem todas as aparências são verdadeiras e que famílias aparentemente felizes podem ser bem infelizes quando retiram as máscaras ou quando as circunstancias mudam.

Nesse caso o que mudou foi que Vronki e Anna se encontraram novamente em um baile, dançaram e conversaram muito, Vronski que é galante e estava inclusive cortejando a Kity, que está apaixonada por ele consegue deixar Ana balançada e esse relacionamento é o que vai mudar a história de todos que os cercam.

Acho que já deu pra perceber que Ana Karênina é um livro sobre relacionamentos familiares e que também trata da vida em sociedade, mas pra mim principalmente é um livro de amor. Sobre as várias formas de amor, sobre a descoberta do amor e que cada um entende e sente quando se trata de amor.

O amor dos Liêvin (Kity e Kóstia, que são meus personagens favoritos) é puro, o amor dos Oblonski é mais pela família e por manter ela, o do Karenin é frio e o da Ana por ele é conquistado pelo respeito, o da Ana e do Vronski é obsessivo  e assim vai... Não quero falar mais para evitar spoiller.

O romance trata bastante dos sentimentos da Anna e apesar do nome do romance, de ela ser a personagem central a Ana é a personagem mais chata e egoísta da história, acho que das “mocinhas” da literatura ela só perde para a Cath de O morro dos ventos uivantes no quesito chatice. Ela é insegura, carente, mimada e egoísta, a única coisa boa que ela tem é a capacidade de amar, a busca do amor e o fato de estar disposta a quebrar as conveniências sociais para ser feliz, para amar e viver esse amor.

Mesmo com isso o amor dela é o mais fútil e o mais vulgar do romance, o que não diminui o valor do livro, mas o ponto alto do romance pra mim é a descoberta do amor da Kity, a construção da confiança e do relacionamento deles é tão doce, tão pura que me tocou profundamente.


Foi muito difícil pra mim falar desse livro, não sei explicar, acho que ele me tocou e quando a gente sente uma coisa tão bonita com um livro é difícil descrever, além disso ele ficou fortemente ligado à elegância do ouriço que foi um livro que ecoou em mim de uma forma muito bonita e diferente e que foi a leitura que mais mexeu comigo em 2014.


Por hoje é só!

;)


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

{Fabi} 'Tá Lido # 67 - O vermelho e o negro, Stendhal

ISBN: 9788579710278
Ano: 2010
Páginas: 630
Editora: Abril

Sinopse: O trágico destino de Julian Sorel, protagonista deste romance, foi baseado em fatos reais (na vida do jovem seminarista Antoine Berthet, que assassinou a ex-amante). Stendhal tensiona sua saga romântica com a realidade da França da Restauração pós-napoleônica, política e moralmente conservadora.
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Acho que nunca comentei aqui, mas quando compro um livro que não seja por indicação (seja por vídeo, resenha ou de amigos) prefiro não saber nada sobre ele, nem leio a sinopse na loja. Com esse livro foi assim, apaixonei pelo título, acho bonito, embora o livro não esclareça muito bem o porquê dele. (eu imagino que o vermelho tenha a ver com raiva ou as cores bonapartistas, e o negro com as sombras e o habito dos padres).

Tenho um ritual de leitura, quando vou começar a ler um livro, leio primeiro a sinopse, depois as orelhas (quando não tem orelhas, normalmente tem uma apresentação e etc.), m;as nunca leio os prólogos que não são escritos pelo autor, deixo para o fim da leitura.

 Esse livro faz parte da Coleção grandes clássicos da Editora Abril, então na parte final tem uma contextualização do período em que foi escrito, sobre a vida do autor e a importância de alguns personagens e etc., essa parte só leio depois de ter terminado o livro mesmo.
Esse livro foi uma surpresa maravilhosa, porque mesmo sem saber nada sobre ele, quando o peguei nas mãos pela primeira vez já sabia que ia ser uma leitura incrível, que ia ser um livro que ia me marcar e realmente o foi.

Outra coisa que percebi lendo esse livro é que realmente gosto desse período histórico, século XIV, não só da parte histórica, mas da literatura produzida nessa época, acho que os livros mais marcantes que eu li nos últimos tempos são desse período, mas chega de devanear e vamos voltar ao livro.

O romance se desenvolve em torno da vida de Julien, um rapaz pobre, ambicioso, que sofre rejeição da família por ser mais intelectual que forte, ele é sonhador e inteligente, também tem uma malícia que é temperada com doses de inocência que o tornam encantador. E uma coisa que se torna relevante para história é a paixão desenfreada e secreta que ele nutre por Napoleão Bonaparte.

Ele é tão encantador que vai conquistando o respeito e admiração das pessoas para alcançar seus objetivos, ele é um pouco manipulador e dissimulado, ele usa da sua inteligência para convencer o cura Chélan (que é quem o ensinava) a conseguir uma posição melhor pra ele, pois ele não nasceu para ajudar na madeireira da família, o cura consegue uma posição de tutor na casa do prefeito do vilarejo que ele mora, ai começa a ascensão e a queda de Julien.

Ascensão no sentido de subir na escala social, ele é uma pessoa que deseja respeito, que deseja ser admirado e ter poder, o que é contra os princípios de um aprendiz de cura, uma pessoa que vai estudar para conseguir ascensão espiritual, daí a queda, que é moral e espiritual.

Se por um lado ele vai conquistando as pessoas, ele tem um jeito de conseguir o respeito dos superiores, ele sabe o que dizer e o que falar, sabe quem conquistar e como conquistar, por outro ele vai perdendo a inocência e vai se afastando do caminho de cura que ele seguiria.

Várias coisas na história vão se encaixando, ora Julien é uma pessoa amável, ora ele é um crápula e essa dualidade se dá em todos os aspectos da história, acho que até o título sugere isso (esse titulo me fascina, acho incrível rs).


Conforme a narrativa vai se desenvolvendo os sentimentos do leitor para com Julien vão mudando, assim como a própria forma dele se ver e de se compreender, acredito que é por isso que muitas pessoas veem esse livro como romance psicológico, ele causa aquela sensação estranha que sentimos com o Raskolnikov de Crime e Castigo, talvez de maneira menos intensa, mas ainda sim Stendhal mexe com nosso psicológico e com nosso sentimento.


Já deu para perceber que vale a leitura né?

Até a próxima! ;)


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sábado, 27 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 66 - A elegância do ouriço, Muriel Barbery

ISBN: 9788535911770
Ano: 2008
Páginas: 352
Editora: Companhia das Letras
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou — por que não? — duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A "Elegância do Ouriço", seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

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Eu já tinha tentado ler esse livro antes, acho que em 2013, mas não deu muito certo provavelmente não era o momento, tem aquela coisa de o livro te escolher.
Eu simplesmente amei esse livro, ele ecoou em mim, me tocou de uma forma tão intensa que ainda me pego pensando nele, mesmo depois de ter lido alguns outros.
Não é porque eu me pareça com algum personagem, mas é pela escrita, pelo clima, pela beleza e pela mensagem do livro mesmo.

O livro conta a história de Renée, uma zeladora solitária e que só mostra aos estranhos o que ela quer, ou melhor o que eles esperam ver. Digo isso porque ela é uma mulher culta, inteligente e sempre se faz de obtusa e de desentendida.

Ela é o tipo de pessoa curiosa, que vai adquirindo cultura, bom gosto por buscar isso, por indicação de outros livros e filmes, ela tem um bom  gosto natural.
Posso dizer que ela me indicou Anna Karenina (outro dos meus livros preferidos da vida) e Satie, é que o gato dela se chama Léon (homenagem ao Tolstói), ela sempre rele Anna Karenina e fala dele sempre e com tanto carinho, que fiquei tão curiosa que logo que terminei A elegância fui lê-lo.

 E Satie <3, bom decida-se por si só:



Como o livro todo é repleto de referencias à arte, música e literatura, sobre referencias ao belo e a busca do belo, esse clima me envolveu, percebi que os livros que trazem muita musicalidades, tendem a me marcar mais, acho que a música é tão universal que conseguimos compreender melhor o personagem quando ouvimos o que ele sente, não consigo colocar em palavras, mas acho que é por ai.
Essa busca se dá não só pela Renée, mas também pela adolescente chamada Paloma, que é super inteligente que se finge "normal", mas que não se sente parte do mundo, meio que aquilo de gênio incompreendido, que acha o mundo um lugar estranho e busca uma razão para viver.

O mais curioso é que elas se cruzam, mas não percebem o que tem por trás das máscaras sociais, já que as duas fingem ser uma coisa que não são, eu esperava que ao se olharem elas se descobrissem, sei lá percebessem que ambas  gostam muito de cultura japonesa, música boa, são observadoras, percebem a essência das outras pessoas, gostam de arte e  essa busca pelo belo.

Mesmo com toda essa consciência das máscaras sociais, talvez não tão sem querer assim, ambas vivem de alguma forma uma hipocrisia, pois fingem ser o que não são, mas isso é uma forma de proteção e até mesmo de preservação e não para se gabarem (o que normalmente as outras pessoas fazem), elas pelo contrário, elas se diminuem para atender a expectativa dos outros.

No decorrer da história as duas vão se descobrindo, mas para isso acontecer é preciso que uma terceira pessoa apareça e faça a diferença na vida das duas, uma daquelas pessoas que sem perceber muda a história das outras.
É delicioso presenciar esse encontro, essa aproximação que já parecia tão evidente e que ao mesmo tempo é conduzida com sutileza e muita delicadeza, mas daqui pra frente não posso falar mais nada, porque a descoberta é a parte mais gostosa.

Até a próxima! ;)

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 65 - Jane Eyre, Charlotte Brontë

ISBN: 9788572329996
Ano: 2014
Páginas: 780
Editora: Martin Claret

Sinopse: Jane Eyre, romance de estreia da consagrada e renomada escritora inglesa Charlotte Brontë, narra a história de vida da heroína homônima. Quebrando paradigmas e criticando a realidade vitoriana da época, Jane Eyre desafia o destino imposto às mulheres e as posições sociais que elas deveriam ocupar. Recheado de características góticas, o romance possui personagens inesquecíveis e transformadores, como a figura do misterioso Rochester, patrão de Jane e peça vital da narrativa.





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Eu adoro romances vitorianos, mas tinha receio de ler esse, sei lá, acho que é porque eu adoro tanto a Jane Austen que não sentia vontade de ler outra autora do gênero, às vezes sou assim, também tenho meus preconceitos literários e olha, não são poucos.
Mas parei de ser besta e li, amei, me envolvi e me emocionei, esperava menos e tive muito mais que merecia, que livro!

O que mais me encanta no livro é a própria Jane Eyre, que tem suas fragilidades, mas tem também uma força de caráter, uma presença tão marcante, tão viva que comove.
Diferentemente dos romances da Jane Austen, Jane Eyre não se passa tanto em um núcleo familiar, porque ela é órfã, criada por uma tia que não queria a criança, com primos mimados e que sentem superiores a ela.

Tem momentos do livro que o tratamento frio da família chega a ser cruel, que dá vontade de pegar ela no colo e cuidar dela com todo carinho do mundo, ela sempre foi uma criança diferente, questionadora, curiosa e que gostava de aprender, mas em um ambiente hostil isso era tido como arrogância e desobediência.

Jane vai passando por dificuldades que vão moldando sua vida e aumentando seu desejo de independência, mas ela não fica esperando as coisas caírem do céu, ela se dedica para que aconteçam, outro fator positivo é que ela aprende a suportar as vicissitudes com resignação e coragem, ela é uma mulher forte.

A força dela vem justamente da fraqueza, do reconhecimento dela e do aprimoramento pessoal, ela é inteligente, mas não esconde isso. As personagens do livro a consideram uma pessoa feia e sem graça, mas ela emana uma aura de encantamento nas pessoas que tem olhos para ver além da superfície.

No caminho ela encontra pessoas capazes de enxergar isso nela, amigas, companheiras de internato e até o patrão (o Sr. Rochester, me causa uma mistura de raiva e carinho rs)dela, que neste caso também não é nenhum deus grego, mas é rico e inteligente, o que já o tornava um partidão na época.

Quem já leu algum romance vitoriano ou não, já consegue imaginar o que aconteceu né? 
Quem ai já leu?

Até a próxima! ;) 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 64 - A redoma de vidro, Sylvia Plath

ISBN: 9788525057945
Ano: 2014 /
Páginas: 280
Editora: Biblioteca Azul
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica.

A Biblioteca Azul lança uma nova edição de A redoma de vidro, único romance da poeta americana Sylvia Plath. O título retorna às livrarias com tradução do escritor Chico Mattoso 51 anos depois da primeira publicação e do suicídio da autora, em 1963. 
Lançado semanas antes da morte da poeta, o livro é repleto de referências autobiográficas. A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. A obra foi publicada na Inglaterra sob o pseudônimo Victoria Lucas, para preservar as pessoas que inspiraram seus personagens.
Assim como a protagonista, a autora foi uma estudante com um histórico exemplar que sofreu uma grave depressão. Muitas questões de Esther retratam as preocupações de uma geração pré-revolução sexual, em que as mulheres ainda precisavam escolher se priorizavam a profissão ou a família, mas A redoma de vidro segue atual. Além da elegância da prosa de Plath, o livro extrai sua força da forma corajosa como trata a doença mental. 
Sutilmente, a autora apresenta ao leitor o ponto de vista de quem vivencia o colapso. Esther tem uma visão muito crítica, às vezes ácida, da sociedade e de si mesma, mas aos poucos a indiferença se instaura, distanciando a moça do mundo à sua volta. Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.
Ao lidar com sua depressão, Esther também realiza a transição de menina para uma jovem mulher. Mais que um relato sobre problemas mentais, A redoma de vidro é uma narrativa singular acerca das dores do amadurecimento.

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Faz tanto tempo que eu queria esse livro, mas ele era esgotado no Brasil e infelizmente eu não sei ler em Inglês (coisa que vai mudar em breve), mas graças a Deus ele foi relançado esse ano e a linda da Ines me deu de presente de Natal, obrigada, eu amei! <3

Esse livro é triste, melancólico e sensível,  ao mesmo tempo é bonito e a prosa da Sylvia é poética e simples, uma delícia de ler. O mote principal do livro é depressão e suicídio, o sentimento de não se encaixar no mundo e de ter uma dor tão grande que não sabe como lidar.

Por mais que seja um tema pesado é narrado com tanta sensibilidade que torna a leitura mais leve, a prosa é tão bonita e simples que a leitura flui, é um livro melancólico, mas com uma melancolia e uma tristeza bonita, não agressiva e que comove, mas não de uma maneira negativa.

Um aspecto desse livro que torna ele muito verossímil é que a Esther, a personagem principal, tem tudo pra ser feliz, uma bolsa na faculdade para estudar Inglês, consegue vários prêmios  e até um estágio muito bom, que é o sonho de muitas meninas, mas que não conseguem mudar esse sentimento de não merecimento e de tristeza por não ser grata.

Esse sentimento todo só piora a depressão, só agrava mais ainda a incapacidade dela de se adaptar e de querer isso, não tem como falar muito desse livro porque ele vai se desenvolvendo de acordo com as situações que a Esther vai vivendo e falar mais sobre isso estragaria a descoberta.

Fica a dica de um livro triste, bonito e tocante.

Até a próxima! ;)




domingo, 21 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá Lido # 63 - O jardim secreto, Frances Hodgson Burnett

ISBN: 9788563560605
Ano: 2013
Páginas: 344
Editora: Penguin-Companhia
Avaliação pessoal: 5 estrelas e favorito

Sinopse: Clássico da literatura inglesa, O jardim secreto conta a história de duas crianças solitárias que decidem restaurar um jardim proibido, cujo mistério remete a um
acidente ocorrido anos atrás.
A amizade improvável entre os dois personagens funciona como uma metáfora para a descoberta do mundo e para o autoconhecimento.
Escrito em 1911, o livro já inspirou diversas montagens no teatro e três filmes - entre eles, o longa americano homônimo de 1993, dirigido pela polonesa Agnieszka Holland, vencedor do prêmio Bafta.
Esta edição traz introdução e notas da romancista e crítica literária Alison Lurie e um posfácio de Marise Soares Hansen, mestre em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo. Em seu texto, ela traça paralelos do romance com autores importantes de literatura de língua portuguesa, como Eça de Queiroz e Clarice Lispector.
Durante a maior parte de sua vida profissional, Frances Hodgson Burnett foi uma escritora de sucesso. Desde cedo sustentou a si mesma (e a várias outras pessoas) com seus escritos. Suas peças de teatro, contos para revistas e romances ajudaram a tirar a mãe e as irmãs da pobreza. Sua carreira também pagou pela pós-graduação em medicina do primeiro marido e garantiu ao segundo a oportunidade de estrelar uma peça em Londres.


Preciso começar dizendo que esse livro é doce, sensível, cativante e conquistou meu coração! ;)

Dito isso posso falar tranquilamente sobre esse livro que narra a história de uma garotinha que morava na Índia, em uma aldeia que tem uma epidemia de cólera e leva quase todos à morte e quem não morre foge.

Os pais e a baba dela morrem e ela fica sozinha nessa aldeia, em um quarto até que soldados ingleses a encontram. O nome dessa garotinha é Mary Lennox  e ela é mal humorada e ranzinza, nunca foi amada pelos pais e era cuidada pela ama que fazia todas suas vontades, com isso ela se tornou mimada e a arrogante, enfim, uma menina difícil de se amar.

A única pessoa que sobrou na vida dela foi um tio que ela nunca viu e que mora na Inglaterra, ela muda para casa desse tio e lá percebe que as coisas são bem diferentes do que ela estava acostumada. Diferentemente da Índia, os criados aqui não estavam nem ai pra ela desde que ela ficasse longe do caminho deles, que não atrapalhasse e não fosse para a área restrita da mansão.

Nessa casa existe uma criada chamada Martha, que mesmo tentando ser fria com ela não consegue, porque se lembra dos seus próprios irmãos e não consegue deixar de se sensibilizar com as diferenças, com a apatia e falta de vida de Mary. Com isso ela manda a menina para o jardim conhecer a natureza, a vida que circula no mundo.

O jardim nesse livro é uma alegoria à vida, ao despertar e florescer, como um jardim (coração) abandonado, ao receber cuidados e atenção ganha vida.
A amizade com Dickon, que é um menino doce, alegre e cheio de vida, a admiração e o próprio jeito meigo de cuidar dos animais e do jardim que ele tem, mostra pra Mary que ela pode ser assim e que basta abrir o coração pra vida que flui na charneca, no jardim e em todos os lugares possam toca-lá e deixa-lá cheia dela.

No decorrer do livro Mary vai mudando, vai se relacionando com outras pessoas e descobrindo mistérios da casa e de sua própria família. Essas descobertas mudam seu lugar no mundo e a forma de ver o mundo e as pessoas, essa é a delicadeza do livro, a forma como o cenário e a natureza se relacionam com a descoberta de si mesma e do amor e da amizade.

Quem ai já leu?
O que achou?

Até a próxima! ;)

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sábado, 20 de dezembro de 2014

{Fabi} 'Tá lido # 62 - Os miseráveis, Vitor Hugo

Volume 1
ISBN: 9788540502321
Ano: 2013 
Páginas: 1128
Editora: Cosac Naify

Volume 2
ISBN: 9788540502321
Ano: 2013 / Páginas: 1972
Editora: Cosac Naify

Sinopse: Hugo narrou seu romance magistral numa linguagem que representou para a literatura "o mesmo que a Revolução Francesa na História", segundo o crítico Sérgio Paulo Rouanet. O fio condutor é o personagem de Jean Valjean, que, por roubar um pão para alimentar a família, é preso e passa dezenove anos encarcerado. Solto, mas repudiado socialmente, é acolhido por um bispo. O encontro transforma radicalmente sua vida e, após mudar de nome, Valjean prospera como negociante de vidrilhos, até que novos acontecimentos o reconduzem ao calabouço.

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Desde que eu comecei a ver os vídeos da Glaucia, do canal Enstante Indiscreta fiquei doida pra ler esse livro, na minha versão esses livros, porque são dois.

Eu li o primeiro no meio do ano passado, nas minhas férias de julho, mas como fiz a Maratona Literária fui deixando pra lá, também fiquei meio chateada pela edição, não sou muito de reclamar, mas nesse caso preciso abrir uma exceção e  reclamar um pouco.

Essa edição é cara, ganhei de presente de dia dos namorados do meu marido em 2013, então tem ainda mais valor sentimental, como eu carrego livros na mochila, as vezes eles danificam um pouco, mas sou super cuidadosa, deixo eles em um bolso separado, coloco em capinhas e tal, mas nem isso protegeu bem minha edição.
Ela tem uma capa super fininha, que amassa fácil, além disso como eu coloquei a capa para proteger, começou a levantar um plástico bem fino que protege essa capa, como essa edição não tem orelha tem que tomar bastante cuidado na hora de guardar dentro do box.


Fora isso, o cuidado com a edição é nítido, é uma edição muito caprichada, mesmo com as  folhas mais finas não dá pra ver a sombra do que está impresso no verso, a folha é de um tom leve de creme, digamos que um branco sujo de creme.
O fato de a edição ser menor e ter essas folhas mais finas, deixa ela leve, o que torna a leitura mais confortável e a fonte também tem um tamanho que não deixa a leitura cansativa.

Agora sobre o livro, existem alguns pontos que são comuns aos leitores, o primeiro é se sentir um miserável lendo o livro e o segundo que o Vitor Hugo divaga muito, é muito descritivo e o narrador ás vezes cansa, concordo em partes.

Esse livro me fez mesmo me sentir uma miserável, mas não no sentido de pobre e de passar fome, mas no sentido de não dar valor as coisas e de ser humana, demasiadamente humana, de não conseguir sentir a dor do outro de forma tão intensa como o Vitor Hugo, ele capta a dor e a miséria da alma humana, dos sentimentos egoístas e mesquinhos.

Muitas vezes esses sentimentos mesquinhos são despertados não nos miseráveis materiais, mas sim nos miseráveis de moral, de caráter. As coisas mais bonitas e singelas desse livro são feitas por pessoas que sofrem com a miséria, esse livro exalta isso e dá um belo murro no estômago de nós, meros mortais que não tiramos o olho do próprio umbigo.

O livro tem sim muita descrição e até mesmo um pouco de enrolação do narrador, mas com o decorrer da história a gente percebe que não é enrolação, todos os fatos mostrados por ele tem uma relevância na história mais pra frente.

Os personagens são tão bem construídos que parecem pessoas reais, cada personagem acrescenta uma face a história, é como se cada um deles fosse um pedaço da história da França, da Revolução estudantil e do livro mesmo, porque as coisas nos são apresentadas de acordo com as experiências deles.

Outra coisa fascinante é que nenhum personagem é cem por cento bom ou cem por cento mal, cada um deles é composto por defeitos e qualidades, gestos ruins e gestos bons.

O livro fala sobre guerra, revolta, miséria e ódio, mas fala também sobre muitas formas de amor, existem cenas lindas dentro de momentos pesados, cenas doces e divertidas, por mais que seja um livro denso, é uma leitura incrível e prazerosa em quase todos os momentos.

Meus personagens preferidos com certeza são Gavroche e Fantin, também adoro o Jean Valjean e a Éponine! <3