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quarta-feira, 11 de junho de 2014

{Bel} Impressões de Leitura #53 ~ Azul é a Cor Mais Quente (Julie Maroh)

Título: Azul é a Cor Mais Quente
Título Original: Le Bleu Est Une Couleur Chaude
Autor: Julie Maroh
Editora: Martins Fontes
Número de páginas: 158

Skoob :: Goodreads

Avaliação: 5 estrelas e Favorito!


Sinopse: Clementine é uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer. Em tempos de luta por direitos e de novas questões políticas, "Azul é a Cor Mais Quente" surge para mostrar o lado poético e universal do amor, sem apontar regras ou gêneros.



Já li esse quadrinho já tem um bom tempo, mas como não estava assim tão inspirada para escrever, resolvi esperar um pouco, afinal, ele merece todas as melhores palavras e elogios!

A princípio, não fazia ideia alguma do que se tratava a história. Nenhuma ideia mesmo. Mas tinha vontade de ler porque eu via todo mundo comentando tanto dos quadrinhos quanto do filme. Até que um dia, recebi uma promoção em meu e-mail, preço amigo e comprei.


No dia que chegou, peguei para dar uma olhada apenas do que se tratava, ver como era o traço e tal. Quando dei por mim, eu havia terminado a leitura. Sem perceber, me envolvi com a história, mergulhei nesse universo dramático da vida de Clem, dela se descobrindo e se perdendo, que não vi o tempo passar.

É uma história sensível, frágil e ainda se passa em uma época na qual as pessoas tinham mais dificuldade em aceitar um relacionamento homossexual. Clem, claro, não recebe essa aceitação da família e de muitos ao seu redor por amar Emma, uma garota de cabelos azuis, estudante de Artes.


Entretanto, a história não se trata apenas do amor entre Clem e Emma, mas sim, das várias formas e sutilezas do amor. Da hipocrisia do ser humano em repudiar o relacionamento entre duas pessoas do mesmo sexo, onde há AMOR, e apoiar guerras, disputas por terras onde há apenas interesses em benefício próprio. Onde mesmo que está o erro aí?


A história mostra uma sociedade bem ignorante e nós, leitores, acabamos nos sensibilizando com a história das duas e sentimos as mesmas coisas que as duas durante a leitura. A agonia de não poder sair e gritar ao mundo o que se realmente é sem ter consequências com a sociedade. É uma história bem triste, não esperem um final feliz.


É uma leitura de qualidade garantida, sensacional e super recomendada! Além de possuir um traço super lindo! Durante a história de Clem e Emma, o traço é todo em preto e branco e, a única cor presente é o Azul. Muito lindo e sensível.


Merece leitura e releitura por várias vezes! Alguém aí já leu essa história ou viu o filme? Deixe seu comentário!


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Bel VF 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

'Tá lido #34 - Palestina: Uma nação ocupada e Palestina: Na faixa de Gazza, Joe Sacco

Palestina: Uma Nação Ocupada - Joe Sacco
Páginas: 160  
Editora: Conrad 
Avaliação: 5 estrelas!
Sinopse: O livro é resultado de uma longa viagem que o autor fez ao Oriente Médio. Durante dois meses, Sacco coletou histórias nas ruas, nos hospitais, nas escolas e nas casas dos refugiados. Presenciou violentos confrontos dos soldados com a população e entrevistou vítimas de tortura. Conversou com militantes, com outros já conformados com a situação, com velhos e crianças. Ainda que Sacco não disfarce sua simpatia pela causa palestina, o livro está bem longe de poder ser considerado propaganda. Tem muito humor, auto-ironia e nuances para isso. Um livro fundamental, que transcende o mundo das histórias em quadrinhos e deve ser lido por todos os interessados em bom jornalismo. Vencedor do Prêmio HQMix de Melhor Graphic Novel Estrangeira de 2000 e do American Books Award de 1996. Inclui prefácio de José Arbex.

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Palestina: Na Faixa de Gaza
Páginas: 141
Editora: Conrad 
Avaliação Pessoal: 5 estrelas e favorito!
Sinopse: O livro é a viagem que Joe Sacco fez ao Oriente Médio, entre 1991 e 1992. Durante dois meses ele coletou histórias nas ruas, nos hospitais, nas escolas e nas casas de refugiados, onde ele fez mais de 100 entrevistas com palestinos e judeus. Com rara sensibilidade e perspicácia, o artista criou uma série de nove histórias. "Palestina - Uma nação ocupada", publicada pela Conrad em 2000, reuniu alguns desses relatos. "Palestina - Na Faixa de Gaza" dá continuidade às incursões de Sacco por essas regiões. "Palestina - Na Faixa de Gaza" não é ficção. É vida real. É jornalismo. Prefácio de Edward W. Said.


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Esse quadrinho é tocante, triste e nos causa uma certa revolta, pelo assunto que trata e pela forma que o tema conflitos na Faixa de Gaza, entre árabes e judeus, a vida, o cotidiano, a pobreza e o contato precoce das crianças com a violência da guerra. 
Além disso mostra como o Joe Sacco, um repórter do ocidente se importa somente com a desgraça pra montar sua história, seus gibis como ele mesmo disse. A crítica velada aos interesses pesssoais ocidentais na desgraça dos palestinos, eles usam essa desgraça apenas para se promover, mas não tem interesse em contribuir efetivamente, com soluções e verba, coisas que podem mudar realmente o contexto e a vida dos palestinos.


E essa crítica envolve outro ponto polemico, até que ponto outros povos tem responsabilidade em assumir as brigas e desgraças alheias? Será que cabe a terceiros resolver os problemas deles? É ético deixar milhares de pessoas morrerem?

Fiquei me questionando sobre tudo isso durante a leitura, por alguns momentos vi os judeus como vilões, mas logo me lembrava que é uma história parcial, já que aborda prioritariamente a versão dos palestinos sobre essa questão. Claro que a questão da Faixa de Gaza, da Intifada e os conflitos no Oriente Médio é muito mais complexo e cheio de nuances do que o que foi abordado, mas é uma boa introdução pra quem tem interesse nessa questão.

Acho que histórias com um apelo forte aos nossos sentimento, histórias pesadas e que envolvem questões além da compreensão de quem nunca viveu nada parecido, quando abordadas através de quadrinhos (é o caso de Maus, do Art Spielgman) transmitem com mais ênfase as sensações, porque além das palavras, as imagens e sentimentos são desenhados, isso nos toca mais, parece mais real.

Vale a leitura, quem tem interesse em jornalismo, guerras e assuntos que envolvem direitos humanos, tem que ler! 

;)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

{Bel} Impressões de Leitura #16 ~ Maus (Art Spiegelman)

Título: Maus - A História de Um Sobrevivente
Título Original: Maus
Autor: Art Spiegelman
Editora: Quadrinhos na Cia.
Número de páginas: 296

Skoob :: Goodreads

Avaliação: 5 estrelas e Favorito!

Sinopse: Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu-polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, Maus ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas -história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.


Maus não é apenas mais uma história sobre o Holocausto. É emocionante, triste e muito envolvente. É aquele tipo de livro/quadrinhos que nós começamos a ler e não queremos mais parar. Toca a gente lá no fundo da alma em cada relato sobre essa fase da história mundial, da qual a extrema maldade humana tomou conta.

Na minha humilde opinião, estes quadrinhos deveriam estar presentes em todas as salas de aula! Pois nada melhor do que aprender de quem realmente passou por tudo isso, sem manipulação de informações ou omissão de detalhes!

Em cada história sobre os campos de concentração, Vladek narra com uma emoção, de forma profunda, que fica impossível não sentir alguma coisa durante a leitura, como, por exemplo, se sentir triste ao ler como eram tratados os judeus, a falta de respeito para com os vivos e os mortos, como lhes eram negados os alimentos e condições de higiene. Era impossível também não imaginar como era viver naquela época, como tudo era difícil e doloroso.

Através desses quadrinhos, foi possível entender a grandiosidade dessa fase na história. Tudo é muito maior que nós imaginamos. E sim, ainda havia pessoas que queriam ajudar os outros. Havia aquelas que ajudavam, mas, na primeira ameaça do exército nazista, já entregavam os judeus ou quem os protegia. Porém, havia aqueles que, mesmo sem os conhecer, se arriscavam para ajudá-los e, muitas vezes, até morriam por isso, morriam por pessoas que nem ao menos conheciam, morriam para ajudar o próximo.

Eu me emocionei do início ao fim. Mas, teve uma passagem que me marcou muito, que me fez sentir realmente mal por aquelas pessoas inocentes. A história dos fornos dos campos de concentração. É o que vocês estão pensando. Pessoas vivas entravam em fornos. Realmente, uma atrocidade.

E, apesar de tudo o que houve com ele, trabalho duro, agressões, perda de pessoas queridas, estar longe de pessoas amadas, Vladek permaneceu forte, lutou, sobreviveu. Até o fim.

Eu li esses quadrinhos em 3 dias. Poderia ter lido ainda mais rápido, porque ele não nos deixa querer ficar longe ou parar a leitura para fazer outra coisa. É uma história muito forte, tem que estar, de certa maneira, preparado para uma leitura assim. Depois que eu terminei a leitura de Maus, eu não conseguia dormir, pois ficava pensando na história e em tudo o que aquelas pessoas passaram.

Esse foi o primeiro livro que eu li em 2013. E acho que não poderia ter começado de melhor maneira!

Recomendo muitíssimo a leitura desses quadrinhos. O volume completo com todas as história não é muito barato. Sempre é vendido na casa dos 50 reais. Mas eu digo que vale cada real investido. Vale muito a pena!

Um abraço.

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Bel VF 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Tá Lido #9 - Laços, Lu Caffagi e Victor Caffagi


Nessa releitura da Turma da Mônica do Maurício de Souza, os irmãos Caffagi a turma toda vai atrás do cachorrinho verde e peludo do Cebolinha, o Floquinho, ele fugiu e deixou todo mundo doido atrás dele e até encontrar esse cão fujão as crianças passam por mil e uma aventuras e relembram momentos importantes de toda a trajetória dessa amizade cheia de confusões, brigas, mas de muita amizade e companheirismo.



O traço é lindo, delicado e com uma cara de quadrinhos dos anos 80, a Lu desenhou a turma bebê e as lembranças, que na minha opinião são as cenas mais lindas dessa Graphic Novel, são desenhadas em sépia e são perfeitas, meio esfumaçadas e muito delicadas. O Cascão bebê é lindo demais! <3




Me senti de volta a infância, aprontando com a turma ou assistindo um filme na Sessão da Tarde, muita nostalgia e saudosismo, fiquei com clima de quero mais e com vontade de ser criança novamente.
Quando eu era criança adorava os quadrinhos e principalmente os almanaques, pintar fazer os joguinhos e eu queria ser a Magali, acho que ela é uma fofa! ^^

Aqui a Magali, minha personagem favorita.
Nessa história a turma mostra o quanto se importam com a amizade e em nunca desistir de um amigo, o Cebolinha continua com seus planos malucos (inclusive um deles envolve o Capitão gancho e o Peter Pan), a Mônica continua briguenta, o Cascão sem tomar banho e a Magali comilona, mas nesse caso unidos por um motivo maior, salvar o cãozinho do Cebolinha. Achei legal que nessa história os amigos sabem realmente o que dizer para o outro, mostrando o quanto os amigos se conhecem e se incentivam, por exemplo o Cascão incentiva o Cebolinha a criar um plano, o Cebolinha faz com que uns valentões provoquem a Mônica pra ela dar coelhadas neles e assim por diante.


A turma toda, olha que lindos!

nem a Mônica resistiu a essa carinha de triste do Cebolinha.

Ah eu não quero contar a história, a aventura e os acontecimentos são a graça e a mágica, quando gosto muito de alguma coisa eu não consigo falar muito dela, então fica a dica, esse quadrinho é perfeito e vale a pena ler cada balão e cada imagem, mas a "brogueira" não consegue escrever sobre ele.
Espero que pelo menos pelas imagens vocês sintam vontade de ler!


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Tá Lido #1 - Retalhos, Craig Thompson

 * Esse texto foi originalmente publicado no meu outro blog no dia 31 de janeiro de 2013.

As horas voam, o tempo para e o sentimento de Craig Thompson se torna meu. Como largar esse livro, como não se envolver com ele?
Mesmo depois de ter terminado queria ler, cheirar, abraçar e entrar dentro dele.

Lindo visualmente, um verdadeiro deleite para os olhos, cada detalhe faz diferença. Cada pedacinho dá página é caprichado.
Retratar a infância, a adolescência, a fé e a família de forma tão pura, sensível e tocante, é pra poucos.
Este é um livro que você termina com vontade de ler novamente, ou de só ficar olhando, horas e horas, sem parar!
Uma verdadeira obra-prima merecedora de todos os prêmios, de todos os fãs e de tudo que existe de bom pra se falar dele.
Prepare-se pra mergulhar em um mundo onde nem tudo é tão bonito, onde existe solidão, medo e dor, mas também existe uma beleza excepcional, daquelas raras e que quando você a percebe se sente privilegiado.
A história é uma autobiografia do autor, onde ele narra sua infância, adolescência e um pouquinho da fase adulta. Como eram seus laços familiares, a vida na escola, o convívio social e seu primeiro amor.
Craig mostra como nos afastamos de algumas pessoas e nos aproximamos de outras, mostra a culpa, o medo, a fé e a descrença. Mostra a humanidade e a falta de humanidade das pessoas em alguns momentos mostra o choque entre a realidade e o mundo de fantasias, mostra o quão doloroso e libertador pode ser olhar pra luz, olhar pra fora de nossas próprias sombras e inseguranças.

O livro toca em feridas, muitas feridas e essas feridas são maiores em uns do que em outros, cada um vai se identificar mais com uma passagem, mas vai se sentir tocado.
É impossível ficar indiferente a esse livro, seja pela sua beleza visual ou pelo seu conteúdo.

Sensível e comovente.
Verdadeiramente apaixonada pelo livro, este com certeza é um livro pra ser amado, revisitado e admirado muitas e muitas vezes.


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Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2009
Páginas: 592
Título original: Blankets
Sinopse: Uma das graphic novels mais premiadas dos últimos tempos, Retalhos é um relato autobiográfico da vida no Meio Oeste americano. Thompson retrata sua própria história, da infância até o início da vida adulta, numa cidadezinha de Wisconsin, no centro dos Estados Unidos, que parece estar sempre coberta pela neve. Seu crescimento é marcado pelo temor a Deus – transmitido por sua família, seu colégio, seu pastor e as trágicas passagens bíblicas que lê -, que se interpõe contra seus desejos, como o de se expressar pelo desenho.
Ao mesmo tempo Thompson descreve a relação com o irmão mais novo, com quem ele dividiu a cama durante toda a infância. Conforme amadurecem, os irmãos se distanciam, episódio narrado com rara sensibilidade pelo autor. Com a adolescência, seus desejos se expandem e acabam tomando forma em Raina – uma garota vivaz, de alma poética e impulsiva, quase o oposto total de Thompson – com quem começa a relação que mudará a visão que ele tem da família, de Deus, do futuro e, enfim, do próprio amor. Retalho traz as dores e as paixões dos melhores romances de formação – mas dentro de uma linguagem gráfica própria e extremamente original.